Diversidade em Foco

Publicidade Mineira se reúne para falar de Diversidade e Inclusão em um encontro histórico e representativo

Encontro histórico promove debate sobre o futuro da representatividade e inovação no mercado de comunicação de Minas Gerais
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

Na última semana tive a honra de participar de um momento histórico para a publicidade mineira, um encontro promovido pelo Sistema Nacional das Agências de Propaganda – Capítulo Minas Gerais (Sinapro-MG) e pela Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), para tratar do direcionamento e dos desafios da atual gestão da Fenapro para o desenvolvimento do mercado nacional da comunicação publicitária. Na oportunidade também se discutiu, pela primeira vez, a importância de se aumentar a diversidade identitária do setor para uma melhor representatividade e inovação. Eu fui convidada para ser a mediadora do debate, o que significou para mim a realização de um sonho: há cinco anos eu venho tentando trazer essa pauta para Minas Gerais.

O painel voltado para discutir os rumos da diversidade e inclusão no nosso estado foi composto por duas mulheres 50+, uma mulher negra e uma mulher jovem, o que, por si só, já foi um ponto de partida inovador. Presentes à mesa: Ana Celina Bueno, presidente da Fenapro; Patrícia Alexandre, presidente do Observatório da Diversidade na Comunicação (ODC) e Aimée Utsch, fundadora do Aliadas, Coletivo Feminino pela Publicidade Mineira, além de mim, que atuei como mediadora.

Alguns pontos importantes que gostaria de destacar aqui. O primeiro deles é a importância de uma liderança sensível à pauta para que as coisas de fato aconteçam. Atualmente temos à frente do Sinapro-MG o Gustavo Faria, que é uma liderança jovem e atenta à importância do aumento da representatividade do setor. O Gustavo já entendeu que a publicidade não pode representar o Brasil sem se parecer com ele, e vem defendendo esse discurso na sua gestão. Hoje, se comparamos os dados demográficos do último IBGE de 2022, com os dados coletados pelo último censo de diversidade feito pelo ODC em 2024, temos uma distância bastante significativa em termos identitários. Enquanto as pessoas brancas representam 43,5% da população brasileira, nas agências elas ocupam 70% dos cargos. No movimento inverso, enquanto a população parda representa 45,3% no Brasil, ela só ocupa 19% dos postos funcionais do setor. Quando o assunto é liderança, 76% das cadeiras são ocupadas por pessoas brancas. Ou seja, quem cria as propagandas brasileiras não tem a cara de quem as consome.

Um ponto de atenção que o debate revelou é que a maioria dos empresários do setor publicitário mineiro desconhecem o que significa o ODC e o movimento em prol da diversidade que vem sendo feito pelo mercado paulista. Isso só vem a reforçar a importância de fortalecermos a pauta por aqui, pois ainda estamos bem incipientes nessa discussão.

Como ponto positivo, temos a formação do Coletivo Aliadas, uma iniciativa que surge da união de mulheres líderes do setor, e que busca aumentar a representatividade feminina nos cargos de liderança da publicidade mineira. No último censo promovido pelo ODC, as mulheres representavam apenas 15% dos cargos de CEO das grandes agências paulistas. E embora estejamos falando de um coletivo mineiro, sabemos que o cenário não é diferente por aqui. Foi bastante significativo ver a plateia composta majoritariamente por mulheres, a maioria delas atuantes no coletivo, o que só vem a reforçar a importância da coletividade e da representatividade.

Eu esperei alguns anos para ver essa discussão acontecer por aqui. Agora que ela começou, que não a deixemos mais sair da agenda.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Letícia Lins

Doutora e Mestra em Comunicação, Pós-Graduada em Marketing e Publicitária de formação. Fundadora da Letícia Lins Consultoria de Diversidade e Inclusão. Coordenadora dos Cursos de Diversidade e Inclusão do IEC da PUC Minas. Atua como professora na Puc Minas e no Sebrae. Autora do livro: “Deixamos o não em casa, mas saímos com o nunca. Publicidade, Experiência, Públicos e Feminismos nas Redes Digitais” e organizadora do livro: “Comunicação, diversidade e inclusão: diálogo entre academia e mercado”.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas