Quem controla o preço do café?
Quando o preço do café sobe no supermercado, é comum procurar um culpado. O produtor? A indústria? O supermercado? O dólar? A bolsa de Nova York? A resposta, na verdade, é bem mais complexa: o preço do café não é controlado por uma única pessoa, empresa ou país. Ele é resultado de uma cadeia de fatores que começa muito antes de a bebida chegar à xícara.
No caso do café arábica, uma das principais referências internacionais está na Bolsa de Nova York, onde o contrato Coffee “C”, negociado pela ICE Futures U.S., funciona como benchmark mundial para a formação de preços. É um mercado futuro utilizado por produtores, exportadores, indústrias e investidores para negociar e, principalmente, proteger-se das oscilações de preço.
Mas olhar apenas para Nova York não explica quanto o produtor brasileiro recebe. O preço internacional é apenas uma parte da equação. Entra nessa conta o câmbio, já que o café é uma commodity negociada internacionalmente em dólar; entram os diferenciais de qualidade e origem; custos de transporte, armazenamento e comercialização; além da relação entre oferta e demanda.
E aí aparece um dos protagonistas mais importantes: o clima. Uma geada, uma seca prolongada, excesso de chuva ou temperaturas fora do padrão podem reduzir a produção de grandes países produtores e provocar uma reação imediata no mercado. O contrário também acontece. Uma expectativa de safra maior pode aumentar a oferta e pressionar as cotações para baixo.
No Brasil, outra referência importante é o Indicador CEPEA/ESALQ. Em 26 de agosto, o indicador do arábica estava em R$ 1.800,79 por saca de 60 quilos, com alta de 3,25% no mês. Esse número ajuda a acompanhar o mercado físico brasileiro, mas também não significa que todo produtor receberá exatamente esse valor.
Existe ainda a B3, que possui contratos futuros de café arábica e conilon. Esses instrumentos permitem que produtores, indústrias e outros participantes façam operações de proteção contra oscilações de preço. Ou seja, o mercado financeiro não simplesmente “define” quanto vale o café: ele também é uma ferramenta utilizada por quem está dentro da cadeia para administrar os riscos de um mercado extremamente volátil.
E talvez esteja aí a parte mais interessante dessa história. Quando o preço sobe, nem sempre significa que o produtor está enriquecendo. Quando cai, nem sempre significa que a cafeteria ou o supermercado imediatamente reduzirão o preço ao consumidor. Existe uma enorme distância entre a cotação de uma saca de café verde e o valor pago por uma xícara.
Entre esses dois pontos estão beneficiamento, classificação, armazenamento, transporte, exportação ou industrialização, torrefação, embalagem, impostos, distribuição, perdas, estrutura das empresas e, finalmente, o varejo.
Por isso, talvez a pergunta mais correta não seja “quem controla o preço do café?”, mas “quantas forças precisam se movimentar para que o preço do café mude?”.
Da lavoura à Bolsa de Nova York, o preço do café é resultado de uma complexa negociação global. Por trás de cada xícara, há um mercado em constante movimento.
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