Inter projeta queda da taxa Selic e redução da inadimplência
Tradicionalmente, o período de eleições leva o mercado financeiro ao conservadorismo do lado da política pública, das instituições e também dos investidores. Apesar da trajetória lenta de queda da taxa Selic e dos altos níveis de endividamento das famílias e da inadimplência, os executivos do Banco Inter apostam que, apesar do mercado emitir sinais contraditórios, o cenário-base indica um futuro de queda na taxa de juros e também na inadimplência.
De acordo com a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, como o governo federal concedeu estímulos fiscais e creditícios, em certa medida, contrários à atuação restritiva da política monetária estabelecida pelo Banco Central (BC), o ciclo de aperto monetário está um pouco maior, porém ele já tende a se arrefecer.
“Como a queda da Selic está mais lenta do que se esperava e o governo trouxe muitos estímulos fiscais e creditícios, contra a própria atuação mais restritiva da política monetária, as famílias tiveram um pouco mais de fôlego, o crédito acabou surpreendendo. Então esse ciclo de aperto monetário está um pouco mais defasado. Estamos vendo o pico de inadimplência agora no terceiro trimestre, mas já começamos a ver nos nossos indicadores uma melhora marginal a partir de agora, um reflexo da Selic que começa a cair. A inadimplência segue essa queda e ela deve continuar a reduzir nos próximos meses”, explica Rafaela Vitoria.
Segundo o CEO Brasil do Inter, Alexandre Riccio, ao mesmo tempo, programas como o Desenrola – focado em dívidas antigas de difícil recuperação, que prevê um mecanismo de leilão com credores para obter grandes descontos sem que o devedor precise acessar plataformas – e a proibição das bets no Brasil têm pouco impacto sobre o mercado e sobre o banco.

“O Desenrola é um programa que, do ponto de vista estrutural, no longo prazo, não muda tanto o que vemos em carteira de crédito. Acho que a gestão interna não muda e não podemos nos ancorar em programas que têm caráter pontual. E, no caso das bets, do ponto de vista macroeconômico, existe pouco impacto e precisamos observar para fazer eventuais ajustes de rota para o negócio. Quando se trabalha com bases de clientes muito grandes, não tem uma diferença muito grande do cenário macro. Do ponto de vista da população, se existe uma exposição excessiva a bets, pode ser melhor a restrição e isso pode ajudar na inadimplência, mas também é algo que é preciso acompanhar nos próximos meses”, avalia Riccio.
Já o consignado privado – empréstimo com desconto direto em folha de pagamento voltado para profissionais do setor privado com carteira assinada criado em 2003, mas relançado com nova reformulação em março do ano passado, quando ganhou o nome de Crédito do Trabalhador – é visto como um produto estratégico para o Inter e para o mercado.
O consignado privado é uma das linhas de crédito mais baratas para as famílias no Brasil. Enquanto o crédito pessoal tradicional tem taxas de 7% a 8% e o cheque especial e cartão são ainda mais caros, as taxas médias do consignado ficam próximas de 1,8%. Estima-se que o consignado privado seja de duas vezes e meia a quatro vezes mais barato do que o crédito que o trabalhador pega no mercado aberto.
“Esse é um produto novo que ainda passa por questões operacionais que precisam ser resolvidas, como a reivinculação, que acontece quando o tomador de crédito deixa a empresa e a dívida acaba ficando sem vínculo por um tempo. Isso impacta a taxa de inadimplência não porque a pessoa não queira pagar, mas porque ela não consegue. A partir de outubro vamos ter uma nova regulação que deve atuar sobre esse problema. A expectativa é de uma evolução contínua ao longo de pelo menos mais um ano na Dataprev e no aprendizado das empresas, leve a inadimplência para um patamar bem menor do que os 10% atuais e reduzindo ainda mais as taxas ofertadas aos clientes”, avalia o CEO Brasil do Inter.
Dez anos depois de lançar a primeira conta digital gratuita do País, a instituição conta com a tecnologia, especialmente a inteligência artificial para atender a um público que tem interesses diversos e mais de um banco como principal.
O Inter conta com quase 10 milhões de investidores (9,6 milhões). A estratégia de atração baseia-se na diversificação do Super App, que oferece mais de 180 produtos estruturais e 400 papéis de renda fixa.
De acordo com a head de Estratégia e Investimentos, Daniela Barreto, para guiar os clientes, o banco utiliza hiperpersonalização e inteligência artificial. A assistente virtual Seven atua em um ambiente conversacional para ajudar na alocação de portfólios, tirar dúvidas sobre extratos e realizar parcelamentos.
“A tecnologia ajuda muito na diversificação. Trabalhamos muito na hiperpersonalização. Assim, o nosso cliente não fica perdido no aplicativo sem saber o que fazer, o porquê, no Super App ele tem tudo. Então, ele costuma ser direcionado de acordo com as características dele, a personalidade dele, o que mais o atrai. Isso facilita muito. Tem melhorado muito nessa parte de investimento porque a pessoa se sente mais confortável, mais acolhida”, explica Daniela Barreto.
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