Mineiros gastam R$ 290 por mês com bets, e apostas esportivas já impactam o consumo

Pesquisa da FCDL-MG revela que parte dos apostadores já deixou de consumir produtos essenciais e atrasou contas devido às bets
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Mineiros gastam R$ 290 por mês com bets, e apostas esportivas já impactam o consumo
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil

O dinheiro destinado às apostas esportivas já interfere nas decisões de consumo de parte dos mineiros. Uma pesquisa realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) demonstra que o gasto médio entre aqueles que já tiveram contato com as bets é de R$ 290,83 por mês.

Entre os entrevistados, 16,7% afirmaram que utilizam ou já utilizaram essas plataformas, contra 83,3% que nunca apostaram em bets. Entre os que já apostaram, os homens representam 61,9% e as mulheres 38,1%. Os homens também se destacam quanto ao valor destinado às apostas, com gasto médio mensal de R$ 342,88 frente aos R$ 206,25 informados pelas mulheres, uma diferença de aproximadamente 66%.

Considerando aqueles que já tiveram contato com apostas esportivas, 21,4% afirmam já ter deixado de consumir produtos ou serviços – como alimentação, lazer e compras – para apostar. Além disso, 19% do público relata já ter se endividado ou atrasado as contas por causa da prática de apostas em bets. Esses resultados evidenciam uma disputa pelo orçamento das famílias, com reflexos potenciais sobre o comércio e os serviços.

Outro dado importante do estudo é que metade (50%) dos respondentes disseram ter tido prejuízo financeiro com apostas. Outros 28,6% relataram lucro no comparativo com o que já foi gasto nessas plataformas e 21,4% consideram o resultado indiferente. O economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva, destaca que os dados mostram que o avanço das apostas precisa ser analisado também sob a perspectiva da economia real.

Segundo ele, quando o consumidor deixa de comprar um produto, frequentar um restaurante ou utilizar um serviço para direcionar parte da renda às apostas, há um efeito direto sobre suas escolhas de consumo. “O comércio e os serviços dependem da circulação desses recursos para manter suas atividades, gerar empregos e movimentar a economia”, pontua.

Frequência das apostas e meios de pagamento

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Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini/Proibida reprodução

Quanto à frequência, o levantamento demonstra que 35,7% dos apostadores afirmam apostar ou ter apostado mensalmente e 26,2% apostam raramente. Além desses, 21,4% disseram que apostam diariamente, 14,3% semanalmente e 2,4% anualmente. Os dados consideram tanto pessoas que apostam atualmente quanto aquelas que já apostaram.

Silva pontua que não se trata apenas de uma despesa eventual, já que há consumidores que incorporaram as apostas à rotina e destinam a elas uma parcela recorrente do orçamento. “Quando esse gasto passa a competir com despesas essenciais ou compromissos financeiros, o impacto deixa de ser individual e passa a ter consequências mais amplas para a economia”, avalia.

Entre os meios de pagamento utilizados, o Pix é o meio predominante, com 77,6% dos entrevistados que apostam ou já apostaram. Em seguida, aparece o cartão de crédito com 14,3% de participação, seguido pelo cartão de débito com utilização de 8,2% do público.

De acordo com a FCDL-MG, a facilidade de acesso e a rapidez das transações tornam ainda mais importante a conscientização sobre os riscos financeiros associados às apostas. A entidade destaca que os resultados não permitem estimar o volume total de recursos retirados do comércio mineiro, mas evidenciam que parte dos consumidores já substituiu gastos em produtos e serviços por apostas.

Já Silva ressalta que o objetivo da federação é contribuir para um debate responsável, baseado em dados. O especialista esclarece que não se trata de julgar o comportamento individual, mas de compreender como as bets afetam o planejamento financeiro das famílias e a capacidade de consumo.

“A educação financeira e a informação são fundamentais para que as pessoas conheçam os riscos e não comprometam recursos necessários ao seu sustento e às suas obrigações”, conclui.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

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