AMR prevê orçamento de R$ 16 milhões e expansão para outras regiões de Minas

AMR atende cerca de 500 crianças e adolescentes, mantém 20 especialidades e amplia ações de inclusão, apoio familiar e inserção social
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AMR prevê orçamento de R$ 16 milhões e expansão para outras regiões de Minas
Foto: Divulgação Arquivo AMR

Com a missão de promover a inclusão social de crianças e adolescentes com deficiência física em situação de vulnerabilidade social, a Associação Mineira de Reabilitação (AMR) mantém atendimento a cerca de 500 crianças e adolescentes, com atividades de reabilitação, inclusão, assistência às famílias, educação, lazer, cultura e apoio à inserção profissional. Em 2025, o orçamento da AMR somou R$ 15 milhões e a projeção é superar R$ 16 milhões neste ano.

Todo o recurso financeiro é administrado com alta eficiência, sendo totalmente aplicado na instituição para o melhor atendimento às crianças e adolescentes que têm acesso aos mais diversos serviços sem custo. A principal fonte de recursos é a renda imobiliária, obtida com aluguel pela utilização de áreas do imóvel da instituição, incluindo uma unidade hospitalar, espaços ocupados pela Prefeitura de Belo Horizonte e estacionamento. Também são fontes de recursos os projetos públicos e privados, enquanto o corpo de voluntários, com mais de 300 pessoas, responde por cerca de 20% da receita por meio de lojas, bazares, brechós e eventos.

Segundo o presidente da AMR, Sérgio Belisário, a entidade iniciou os trabalhos pela reabilitação, mas a partir da avaliação de que a reabilitação, isoladamente, não atendia às necessidades das crianças, adolescentes e familiares, houve uma mudança na estratégia, que passou a buscar a inclusão.

“Percebemos que a reabilitação por si só não atende às necessidades das crianças e adolescentes e suas famílias. Então partimos também para uma atuação mais estruturada na inclusão. Hoje trabalhamos em diversas frentes, com orientação a escolas e empresas, suporte às famílias e atividades que ampliam a participação dessas pessoas na sociedade”, diz.

Atualmente, a estrutura da AMR é capaz de atender aproximadamente 500 crianças e adolescentes. Para entrar na instituição, a família precisa estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, cadastrada no CadÚnico. A criança também deve ter deficiência física de origem neuromotora e morar em um raio de até 100 quilômetros da instituição.

Para os próximos anos, a AMR avalia levar a experiência para outras regiões de Minas Gerais por meio de parcerias com entidades que já atuam na área de reabilitação. As conversas com municípios estão em andamento, mas ainda sem definição das localidades.

“Temos 62 anos de trabalho e uma base construída ao longo desse período. Temos profissionais com trabalhos publicados em revistas científicas, parcerias com universidades e centros de estudo e estamos estruturando nossa base de dados. A intenção é levar parte dessa experiência para outras regiões, por meio de parcerias com instituições de reabilitação”, conta.

AMR fez mais de 58 mil atendimentos em 2025

De acordo com o Relatório de Impacto 2025, a AMR realizou mais de 58 mil atendimentos interdisciplinares ao longo do ano. Atualmente, a instituição acompanha de forma contínua mais de 480 crianças e adolescentes, de zero a 18 anos, oferecendo atendimento integrado por uma equipe formada por profissionais de 20 especialidades. Do total de atendimentos realizados em 2025, 43.406 foram clínicos, entre consultas médicas e serviços especializados de reabilitação.

Entre os serviços mais demandados estão a fisioterapia, com 14.998 atendimentos; a esporteterapia, com 14.603; a terapia ocupacional, com 4.360; e a psicologia, com 3.916. A instituição também oferece atendimento em fonoaudiologia, neuropediatria, nutrição, odontologia, musicoterapia, psiquiatria, ortopedia pediátrica, dermatologia e cardiologia.

Na área de cirurgias ortopédicas, exames e equipamentos terapêuticos, foram registrados 3.594 atendimentos em 2025. Os números incluem 1.649 atendimentos na Oficina Ortopédica, 1.341 exames laboratoriais e de imagem, 292 procedimentos cirúrgicos, 178 atendimentos no Laboratório de Análise do Movimento e 30 cirurgias ortopédicas.

Outro resultado de destaque foi a entrega de 9.204 equipamentos terapêuticos, entre órteses, cadeiras de rodas adaptadas, andadores e outros dispositivos fundamentais para promover mobilidade, autonomia e qualidade de vida aos pacientes. Atualmente, 79% dos assistidos utilizam cadeira de rodas.

“Hoje nossa estrutura está montada para atender simultaneamente cerca de 500 crianças, considerando uma frequência de três dias por semana. A cada seis meses fazemos uma avaliação coletiva da evolução de todas as crianças e adolescentes. Temos um sistema integrado que permite acompanhar relatórios e gráficos e, a partir disso, corrigir rotas ou estimular aquilo que apresenta resultado positivo”, explica.

A atuação também se estende às famílias. A AMR distribui aproximadamente 400 cestas básicas por mês, adaptadas às necessidades nutricionais de cada núcleo familiar, e mantém uma fábrica de fraldas, já que cerca de 80% das crianças e adolescentes atendidos utilizam fraldas continuamente. Em parceria com o Instituto Mãos Dadas, a instituição também realiza melhorias nas residências, como instalação de barras de apoio, rampas e adequações de banheiros.

As atividades de inclusão incluem ainda visitas a arenas esportivas, parques, museus, teatros e cinemas, além de caminhadas e outras ações fora da instituição. Para mães e avós responsáveis pelas crianças, são oferecidas oficinas, clube de leitura e atividades de artesanato, inclusive com orientação para geração de renda dentro de casa.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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