Encontro do Terceiro Setor da FDC debate fortalecimento das organizações sociais
Com o tema “Fortalecendo Organizações para Transformar Realidades”, a quarta edição do “Encontro do Terceiro Setor”, realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), teve como eixo central o desenvolvimento organizacional e discutiu como o fortalecimento institucional, a gestão e a capacidade de adaptação das organizações podem contribuir para ampliar sua atuação e sustentabilidade diante dos desafios contemporâneos.
Entre os mais de 350 participantes, estiveram presentes dirigentes, conselheiros, executivos, especialistas, professores e lideranças de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para um dia de aprendizado, troca de experiências e reflexão sobre os caminhos para fortalecer o impacto social.
Criadas para realizar atividades de interesse público e voltadas ao bem coletivo, as OSCs são entidades privadas, sem fins lucrativos que atuam em diferentes setores onde o Estado muitas vezes não consegue atender totalmente as demandas da população, como:
- Saúde e educação básica;
- Meio ambiente e sustentabilidade;
- Direitos humanos e assistência social;
- Cultura, esporte e lazer.
De acordo com a diretora de educação social, responsável pelos programas para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), jovens e bolsas de estudo da Fundação Dom Cabral, Paula Borges, o encontro reforça a importância de um diálogo entre organizações da sociedade civil, o poder público e o poder privado.
“Juntos é que conseguimos trabalhar e endereçar questões complexas e desafios sociais que vivemos enquanto sociedade. Na educação social da FDC, entendemos que o nosso papel ganha ainda mais relevância no contexto em que vivemos. Completamos 20 anos da primeira solução educacional que a Fundação Dom Cabral desenvolveu dedicada às organizações da sociedade civil. Desde 2020, mais de 800 organizações passaram pelas nossas salas, pelas nossas iniciativas de desenvolvimento”, afirma Paula Borges.
No painel “Fortalecer para Transformar: O que é e para que serve o desenvolvimento institucional”, o professor convidado da FDC, Domingos Armani, destacou a importância do fortalecimento da profissionalização e da governança em um cenário de incertezas globais.
“O desenvolvimento institucional (DI) nas organizações da sociedade civil começou a ganhar importância no Brasil na década de 2010. A partir dos anos de 2020, a reflexão necessária é sobre como as organizações se desenvolvem em um mundo que parece retroceder. As organizações não são máquinas e devem ser entendidas como um sistema vivo, em que tudo se relaciona com tudo, constituindo um sistema complexo e dinâmico”, explica Armani.
Para a diretora executiva do Instituto ACP, Erika Saez, que estava no mesmo painel, o desenvolvimento institucional é o que acontece da porta para dentro sem esquecer o que acontece do lado de fora.
“O desenvolvimento institucional é sobre a arte de fazer perguntas sobre nós mesmos. Quem somos enquanto organização, para além dos nossos projetos ou antes deles. E refletir sobre o problema que estamos tentando resolver. É mais sobre fazer perguntas do que ter respostas prontas”, destaca Erika Saez.
Nas jornadas de fortalecimento: experiências reais de desenvolvimento institucional nas OSCs, diferentes casos foram apresentados, entre eles o do Instituto Ramacrisna.
Sediado em Betim, na RMBH, há seis décadas, o instituto transforma a vida de crianças, jovens e famílias por meio da profissionalização, aprendizagem e promoção de oficinas. Esse trabalho já impactou a vida de quase dois milhões de pessoas de 12 cidades da região metropolitana.
“Uma das principais lições que o nosso case traz é que quando a gente fala sobre o desenvolvimento institucional nos mantemos fiéis ao propósito, mas flexíveis aos meios para alcançá-lo. São seis décadas com mudanças ao longo do caminho, sempre fiel ao propósito e sempre com uma capacidade de se adaptar e de flexibilizar conforme o meio de alcançar esse propósito”, pontua o superintendente-executivo do Instituto Ramacrisna, Américo Amarante Neto.
Pessoas são razão e pilar das OSCs
“Navegando a Complexidade: As OSCs diante dos desafios do nosso tempo”, foi o tema do segundo painel. Nele, a fundadora da Recursos Humanos + Direitos Humanos, Tauá Pires, avaliou a necessidade das organizações se preparem para atrair e reter talento diante da crise global de escassez de mão de obra.
“O primeiro desafio é quando a gente fala de diversidade, será que as organizações estão preparadas para acolher essa diversidade internamente não só em termos de infraestrutura, mas também ter o repertório para atuar com as diferenças no dia a dia? É preciso criar as condições para sustentar as mudanças. E isso tem a ver também com a retenção porque a gente investe muito tempo nos processos, em checar o alinhamento de valores, mas precisamos preparar a chegada das pessoas. Tão importante quanto a seleção é o onboarding dessas pessoas”, destaca Tauá Pires.

Na mesma mesa, o diretor da Mobiliza Consultoria, Rodrigo Alvarez, refletiu sobre as capacidades necessárias para que as organizações tenham um futuro.
“Eu acho que as organizações que vão ter mais sucesso serão aquelas que desenvolverem a capacidade de aprender. Não necessariamente as organizações que estão fazendo coisas muito inovadoras, mas as que aprendem, que melhoram seus processos internos. São organizações que não cometem os mesmos erros. Então, se eu puder escolher uma coisa única para que as organizações prosperem, é a capacidade de aprender e agir em cima do seu propósito”, ensina Alvarez.
Prêmio reconhece melhores OSCs mineiras
O evento, ainda, apresentou os vencedores do “Prêmio Melhores ONGs estadual de Minas Gerais”, que foram:
- Cruz Vermelha Brasileira – Minas Gerais
- Associação Sementes do Vale
- Instituto Mano Down
- Santa Casa BH
- Associação Mineira de Reabilitação (AMR)
- Associação dos Deficientes Físicos de Poços de Caldas (Adefip)
- Fundação Cristiano Varella
- E a grande vencedora: o “Grupo Luta pela Vida (GLPV)”.
Fundado em 1996, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o GLPV é uma instituição filantrópica que contribui com a assistência oferecida aos pacientes com câncer.
Com o propósito de mobilizar a sociedade para que as urgências e necessidades do tratamento oncológico sejam atendidas de forma 100% gratuita e humanizada, o GLPV desempenha um papel crucial na luta contra o câncer ao longo dos últimos anos na região.
“O prêmio dá uma visibilidade tremenda para o trabalho de todas as ganhadoras. Ter essa validação leva o nosso trabalho adiante. Agradecemos muito essa valorização do trabalho de responsabilidade social e de tudo que temos feito ao longo dos anos, especialmente, 2025”, comemora a representante do GLPV, Isabella Reis.
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