Dia das Crianças: intenção de compra cai em Belo Horizonte, mas gasto médio sobe
O Dia das Crianças, no próximo dia 12 de outubro, vai ter menos pacotes para os pequenos. Pelo menos é o que indica o levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead) sobre a intenção de compras na data. De acordo com a instituição, o percentual de consumidores de Belo Horizonte que pretende comprar presentes para o Dia das Crianças caiu em 2026 em relação a 2025.
Neste ano, 38,46% dos entrevistados declararam intenção de compra, uma retração de 7,87 pontos percentuais em relação a 2025, quando o percentual havia sido de 46,33%. Apesar da base menor de compradores, o tíquete médio estimado subiu para R$ 96,25, o que representa uma alta nominal de 13,40% frente ao ano anterior.
A internet consolidou-se como o canal preferido para compras, citada por 42,35% dos entrevistados como a forma principal e exclusiva de compra. Na comparação anual, o canal digital saltou de 29,70% para 42,35%, enquanto as compras presenciais variaram de 36,63% para 38,82%. O avanço expressivo do comércio eletrônico reforça o desafio para o varejo físico da Capital, que pode observar um fluxo menor de consumidores circulando pelas lojas em busca de presentes.
Segundo o gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, a queda na renda das famílias é o principal fator para a previsão de recuo nas compras. A inflação registrada no ano até o momento contribuiu para a corrosão do poder de compra do consumidor da capital.
“O aperto no orçamento das famílias é o motivo maior para a previsão de menos pessoas comprando no Dia das Crianças. Muitos produtos vêm subindo de maneira mais forte no mercado, o que impacta no dia a dia. Então, essa diminuição no consumo em relação à compra para o Dia das Crianças é mais do que esperada”, disse Eduardo Antunes. O economista indica que não é um fato restrito ao Dia das Crianças.
“Isso já aconteceu com outras datas. No Dia dos Pais, no Dia dos Namorados. Todos sofreram com quedas no consumo. Em suma, podemos dizer que essa redução indica um cenário de maior cautela das famílias da capital, possivelmente refletindo pressões orçamentárias ou a priorização de gastos específicos”, completa o pesquisador do Ipead.
Ticket maior, mas nem tanto
Os dados do Ipead indicam que o consumidor de Belo Horizonte que vai às compras no Dia das Crianças está disposto a gastar um pouco mais do que no ano passado, embora o cuidado para evitar exageros nos gastos permaneça: mais de 87% dos entrevistados pretendem gastar até R$ 150,00 por presente, sendo 46,43% na faixa de R$ 51,00 a R$ 100,00 e 21,43% até R$ 50,00.
Entre aqueles que pretendem presentear, houve recuo na parcela que planeja desembolsar um valor igual ao do ano passado (de 52,63% para 45,24%) e leve retração entre os que pretendem gastar mais (de 26,32% para 25,00%). Por outro lado, cresceu a parcela dos que preveem gastar menos em relação a 2025, passando de 8,42% para 15,48%.
Entretanto, o que poderia ser uma boa notícia para os lojistas, o aumento do gasto médio apesar da redução na parcela de consumidores dispostos a comprar, na verdade é apenas uma reposição inflacionária, na avaliação do gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes.
“Esse aumento no tíquete médio mostra mais uma recomposição inflacionária do que um aumento mesmo no gasto dos compradores, que poderia compensar de alguma forma quem não irá às compras para o Dia das Crianças. Esse valor pode estar sendo mais mascarado por um aumento no preço dos produtos do que por um aumento efetivo no tíquete médio”, comenta Eduardo Antunes.
Black Friday
Além da pressão inflacionária e da menor disponibilidade de dinheiro das famílias para gastos com brinquedos e presentes do Dia das Crianças, havia a suspeita de que a proximidade com outra data comercial de forte apelo, a Black Friday, poderia “atrapalhar” o movimento nas lojas.
O consumidor poderia guardar o dinheiro para uma compra mais em conta e dar um mimo para os pequenos no Natal, por exemplo. Só que essa hipótese, segundo o gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, não ganhou tração neste Dia das Crianças.
“A proximidade com a Black Friday provavelmente não foi o que causou essa redução no número de pessoas dispostas a comprar presentes para as crianças. O custo dos produtos é o que mais impactou nessa decisão de presentear ou não”, explica Eduardo Antunes.
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