Dia das Crianças, Black Friday e Natal aquecem expectativa do comércio mineiro para o fim do ano

Setores apostam em datas comemorativas e no 13º salário para impulsionar a economia e gerar empregos temporários no fim do ano
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Dia das Crianças, Black Friday e Natal aquecem expectativa do comércio mineiro para o fim do ano
Foto: Diário do Comércio/Leonardo Morais

Setembro está caminhando para o fim e 2026 entrará em seu último trimestre. Os meses de outubro, novembro e dezembro terão datas e eventos que podem potencializar a economia mineira e brasileira. E o comércio está animado e se preparando para atender à demanda que deve aumentar nesse período.

Dia das Crianças, Black Friday e Natal já se transformaram em eventos que fazem os olhos dos comerciantes brilharem, pois nesta época do ano há uma injeção de dinheiro na economia com o 13º salário e menos obrigações financeiras, como os impostos do início do ano.

Exemplo claro de como o comércio pode se beneficiar é o otimismo do diretor-presidente da Leitura, Marcus Teles. O executivo de uma das maiores redes de livrarias do País acredita até em crescimento de dois dígitos nesse período do ano.

“Nós estamos crescendo. E achamos que vai ser assim também no fim do ano: nas nossas lojas atuais podem avançar cerca de 8% a 10% acima da inflação. Colocando as lojas novas, que iremos abrir até o fim do ano (saltando de 133 para 143 no total), dá mais de dois dígitos. Então a gente espera crescer de 8% a 9% nas lojas que já temos e algo como 13% a 15% com as lojas novas”, avalia Teles.

Efeito “colateral”

O frenesi que o movimento do comércio mineiro no último trimestre de 2026 pode causar um efeito positivo em setores que não vendem nenhum produto em especial, mas se tornam essenciais em épocas agitadas. É o que espera a empresária Rariúcha Miranda, dona do estacionamento ArtLab Park.

Com o comércio em alto volume, com mais carros na rua, as vagas nas vias ficam escassas. Logo, os estacionamentos próximos aos comércios podem se beneficiar dos compradores em busca de produtos e presentes para as datas festivas.

“Último semestre sempre tem um aumento de demanda, devido às festas de fim de ano e comércio forte. As empresas tendem a confraternizar em novembro e dezembro, e isso aumenta muito nosso faturamento. O último trimestre tem a projeção de ter um aumento de 30% no faturamento em relação aos demais meses do ano”, comenta Rariúcha Miranda.

Otimismo e cenários

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, os comerciantes estão certos em pensar positivo. Ele aponta que eles estão se preparando para o aumento de demanda da época.

“O segundo semestre já começou caminhando para entrar no que chamamos de supertrimestre. Neste período vêm o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal, e a expectativa do comércio é muito boa. Temos alguns bons motivos para crer em um bom resultado: emprego e renda estão sendo mantidos em Belo Horizonte, inclusive com melhoras. Apesar de o endividamento das famílias e a inadimplência também estarem crescendo, achamos que, por causa do emprego e da renda, vamos ter uma boa movimentação este ano”, diz o dirigente.

Já a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Fernanda Gonçalves, também vê o empresariado do comércio animado, mas faz ressalvas quanto ao cenário atual da economia para o segmento.

“Quando olhamos a pesquisa sobre a expectativa de vendas para o segundo semestre da Fecomércio-MG, 70,2% dos empresários acreditam que será melhor do que o primeiro. Este otimismo convive com um varejo que cresceu apenas 0,3% no acumulado do ano em Minas Gerais até julho, contra 1,8% no Brasil. Temos esse crescimento menor que a média, mas a expectativa ainda é positiva”, ressalta a economista.

Emprego

Outro destaque do “supertrimestre”, que está prestes a começar, para o comércio é a possibilidade de abertura de vagas de trabalho temporárias, que podem se transformar em fixas, algo que tem acontecido com frequência no setor nos últimos anos.

“Essa é a época do ano em que mais temos contratação temporária. Não se exige muita coisa, nem experiência. As exigências para o temporário são diferentes das da contratação normal, são mais tranquilas. Então a pessoa pode entrar agora com uma vaga temporária, se efetivar na empresa e ter o seu emprego por muitos anos”, explica Souza e Silva.

Estratégias

Apesar de ser um movimento natural, o incremento nas vendas no fim de ano exige que os lojistas pensem em como “fisgar” o cliente, pois opções não faltarão, tanto no comércio presencial quanto no on-line.

Fernanda Gonçalves diz que pesquisas da entidade mostram o varejo apostando mais na atração de clientes do que em cortes de preços. “As três medidas mais citadas como estratégias são divulgação e propaganda, com 45,5%, promoções e atendimento diferenciado, ou seja, o comerciante voltado a usar estratégias para atrair esse cliente utilizando tanto o comércio físico quanto plataformas digitais para divulgar o seu diferencial”, aponta Fernanda.

“Outro dado estratégico é a forma de pagamento: 36,8% das empresas esperam que o cartão de crédito parcelado predomine no semestre, seguido do Pix, com 31,3%. Isso é relevante porque o parcelamento segue sendo o instrumento que viabiliza o tíquete médio e o maior em um ambiente de juros elevados”, completa a economista.

O presidente da CDL-BH tem reforçado com seus associados que façam planejamento antecipado, assim poderão ofertar uma experiência melhor ao cliente.

“Estamos reforçando a estratégia de fazer o planejamento antecipado, para não chegar em cima da hora, tentar fazer alguma coisa e não conseguir. É preciso pesquisar sempre, no segmento em que você atua, produtos de qualidade com preços acessíveis, e criar formas e meios de pagamento diferenciados. E capacitar melhor os colaboradores: quem está atendendo, quem está no caixa, até quem faz os embrulhos de presente. Quem tiver essa visão, com certeza vai se dar melhor nas vendas do final do ano”, conclui Souza e Silva.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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