ArcelorMittal pede continuidade e agilidade em medidas de defesa comercial contra o aço importado

Importações de aço laminado recuam, mas ainda superam a média histórica, enquanto as importações indiretas de aço crescem
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
ArcelorMittal pede continuidade e agilidade em medidas de defesa comercial contra o aço importado
Foto: Divulgação ArcelorMittal

O vice-presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO Aços Longos Latam, Everton Negresiolo, reconhece os recentes avanços do País no combate às importações predatórias de aço, com a cota-tarifa, a elevação tarifária e as medidas antidumping. Ele avalia, porém, que essas ações ainda são insuficientes e pede continuidade, independentemente do que aconteça nas eleições, e maior agilidade na tomada de decisões do governo federal.

O executivo conversou com a imprensa mineira durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado pelo Instituto Aço Brasil, na última semana, em São Paulo. A análise dele vai de encontro ao que o setor siderúrgico defendeu durante todo o evento.

O governo fortaleceu a defesa comercial do setor siderúrgico neste ano, o que ajudou a frear as importações de laminados. No entanto, o volume de aço importado segue bem acima da média histórica. Além disso, dispararam as importações indiretas, ou seja, o aço que entra no País contido, por exemplo, em veículos, máquinas e equipamentos.

Números apresentados pelo Aço Brasil, em coletiva de imprensa no congresso, mostram que as importações de laminados devem fechar 2026 com queda de 15,1%, somando 4,9 milhões de toneladas. Ainda assim, esse volume é 121% maior que a média anual de 2,2 milhões de toneladas importadas entre 2000 e 2019. Ao mesmo tempo, a previsão é que as importações indiretas de aço cresçam 19,9% no ano, para 7,2 milhões de toneladas.

Segundo Negresiolo, o comércio global passa por uma transformação fortemente pautada por interesses e conflitos geopolíticos. Há menos multilateralismo e mais acordos bilaterais e entre blocos regionais. Ele ressalta que o Brasil tem que agir diante da nova realidade para não colocar em risco a sustentabilidade da siderurgia e de outros setores industriais.

Everton Negresiolo
Negresiolo alerta para o efeito dos conflitos geopolíticos no mercado | Foto: Divulgação Instituto Aço Brasil

Para o executivo, já é notória a evolução do País no fortalecimento da defesa comercial do setor siderúrgico, com instrumentos aplicados a partir de decisões técnicas que confirmam a falta de isonomia na competição contra o aço subsidiado. Entretanto, essas medidas ainda estão aquém do necessário e é preciso que o governo siga atuando e com mais celeridade.

“É necessário que o país olhe para sua indústria, para as vantagens comparativas que possui e para aquilo que é estratégico, definindo como política de Estado, o que espera no longo prazo e quais cadeias serão defendidas para brigar nesse cenário global”, pondera.

Planos de investimentos da empresa no País

Há pouco mais de um ano, Negresiolo informou que a ArcelorMittal estuda investir mais de R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos anos, sendo cerca de R$ 3 bilhões em Minas Gerais. O novo ciclo de investimentos foi condicionado à aplicação de medidas mais robustas de defesa comercial do setor siderúrgico em relação às que existiam na época.

Agora, a companhia anunciou que investirá entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na instalação de um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo na unidade de Tubarão, no Espírito Santo. Também avançou nos estudos para instalar uma linha de laminação para transformar placas em produtos laminados na usina de Pecém, no Ceará, no qual deve ser investido cerca de R$ 5 bilhões, conforme noticiado pela imprensa.

De acordo com o executivo, os dois projetos, um definido e o outro mapeado, são os principais dentro da análise que a empresa conduz para novos investimentos no País.

Sobre Minas Gerais, ele salienta que a ArcelorMittal concluiu recentemente aportes significativos na usina em Sabará, no complexo fotovoltaico em Paracatu e na mina Serra Azul em Itatiaiuçu, e, neste momento, está focada na entrega dos resultados desses projetos.

Especificamente sobre a unidade de mineração, o investimento foi destinado para uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro. A operação começou no fim de 2025 e está em fase de ramp-up, com conclusão prevista para ainda neste ano.

O mercado de minério de ferro está sofrendo pressões de preço e de custos, sobretudo relacionadas ao frete marítimo, o que levou empresas a reduzirem operações no Estado. Porém, o cenário não afeta diretamente a nova planta da companhia, conforme Negresiolo.

“É uma planta cativa de pellet feed que vai exportar 100% do volume para o México, onde temos uma pelotizadora que transforma o material em pelota para consumo no alto-forno e na redução direta da nossa operação mexicana. Então não tem impacto direto, pois a planta está vinculada a uma operação própria”, esclarece.

*O repórter viajou para São Paulo a convite do Instituto Aço Brasil

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Conteúdo Especial
Conectados 60+: os desafios e as oportunidades da inclusão digital na terceira idade