Cenário externo leva três mineradoras a reduzir operações em Minas

CSN corta atividades em Ouro Preto e revisa projeções; Usiminas e Itaminas também adotaram medidas diante da queda do minério e da alta do frete
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Cenário externo leva três mineradoras a reduzir operações em Minas
Foto: Divulgação CSN Mineração

Os impactos do cenário externo adverso, combinando queda do preço do minério de ferro e disparada do frete marítimo, em função da guerra no Irã, chegaram a mais uma mineradora em Minas Gerais. Desta vez, a CSN Mineração informou ao mercado a redução temporária das atividades na planta de beneficiamento a seco do complexo de Pires, localizado em Ouro Preto, na região Central do Estado.

Além da CSN, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) está com parte da unidade de mineração em Itatiaiuçu, na mesma região, suspensa desde o início do mês, e a Itaminas informou que concederia férias coletivas a 300 funcionários da planta de beneficiamento de Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) a partir de outubro, porque parte da produção seria paralisada, com previsão de retomada em novembro.

Em nota, a CSN informou que a redução temporária da produção na planta de beneficiamento a seco do complexo de Pires é uma adequação ao atual cenário de mercado. “A medida prevê a realocação interna de empregados e equipamentos e poderá ser revertida conforme a evolução das condições do setor”, consta no documento. O texto ainda diz que a companhia mantém sua estratégia de priorizar a geração de valor em relação ao volume e reforça que seus projetos futuros seguem inalterados.

No comunicado ao mercado, a companhia, que é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, informou também o corte na projeção de produção e compras de minérios de terceiros ao longo deste ano em 6 milhões de toneladas, para um patamar de 39 milhões a 41 milhões de toneladas, mais uma vez, citando um cenário de mercado pressionado pela alta do custo do frete.

“Essa medida pode ser revertida a qualquer momento, sem maiores consequências, mas desde que as condições de mercado garantam margens melhores para esse tipo de minério”, disse a companhia no comunicado.

Além disso, em razão do impacto da redução temporária sobre o volume de produção e dos menores volumes de compras de terceiros esperados para os próximos meses, a CSN Mineração disse que mudou a projeção de custo caixa em 2026 de um patamar entre US$ 22 e US$ 23,5/tonelada para um patamar entre US$ 25 e US$ 26/tonelada.

Impactos no setor

No início do mês, o Diário do Comércio ouviu especialistas que alertaram sobre a pressão nas margens das mineradoras. Conforme publicado, empresas sem estrutura defensiva, com contratos de longo prazo e operações de hedge, tendem a sofrer mais.

No caso da Mineração Usiminas, as operações da planta de Samambaia, que responde por aproximadamente 35% da produção de minério de ferro da companhia, estão suspensas desde o último dia 2 e não têm prazo para retorno. Na época, a empresa disse que a medida foi necessária para adequar os custos diante das adversidades do cenário externo, marcado pela queda do preço do minério de ferro e disparada do frete marítimo.

Sobre a Itaminas, o presidente Thiago Toscano explicou que o contexto geopolítico internacional, como a guerra no Irã e o custo do frete marítimo, influenciou na decisão de dar férias coletivas. “O preço da tonelada está em torno de US$ 100 e o aumento do frete marítimo em decorrência da guerra no Irã é de 40% do custo da tonelada de minério de ferro”, disse no último dia 10.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/


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