Cedro Mineração suspenderá produção em Mariana e dará férias coletivas para cerca de 500 funcionários
A Cedro Mineração vai suspender temporariamente a produção de minério de ferro da unidade de Mariana, na região Central de Minas Gerais, a partir do dia 9 deste mês. A empresa dará férias coletivas de 15 dias, prorrogáveis para 30 dias, a cerca de 500 trabalhadores da mina, o que inclui funcionários diretos e indiretos.
A decisão, anunciada nesta quinta-feira (5), ocorre em meio ao agravamento das condições do comércio marítimo internacional, com impacto no setor mineral. O quadro é marcado pelo aumento dos custos de transporte e por um ambiente de incerteza geopolítica que tem afetado cadeias globais de suprimentos e fluxos de exportação, segundo a mineradora.
“Nos últimos meses, conflitos em importantes rotas marítimas, tensões comerciais entre grandes economias e o aumento dos custos operacionais da navegação internacional têm pressionado os fretes e reduzido a previsibilidade para empresas exportadoras de commodities”, ressalta, em nota ao Diário do Comércio.
“O cenário tem levado companhias de diversos setores a rever cronogramas de investimentos e adequar suas operações às condições de mercado”, acrescenta.
De acordo com a Cedro, a medida também permite alinhar o calendário operacional ao cronograma de implantação da expansão da mina. Em setembro, a empresa obteve as licenças prévia, de instalação e de operação do empreendimento.
A mineradora prevê investir R$ 3,5 bilhões no projeto e gerar mais de mil empregos, diretos e indiretos, na fase operacional. A capacidade de beneficiamento da unidade saltará de cerca de 2,5 milhões de toneladas para dez milhões de toneladas anuais de minério de ferro bruto. A produção anual poderá alcançar 5,5 milhões de toneladas de pellet feed.
Apesar da paralisação em Mariana, a unidade da Cedro Mineração em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), continuará operando normalmente. A mina produz cerca de quatro milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
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Outras mineradoras reduzem atividades em Minas Gerais
Além da Cedro Mineração, pelo menos cinco mineradoras de ferro reduziram atividades no Estado nos últimos meses. Todas citaram o atual cenário de mercado como um dos motivos.
No início de setembro, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) paralisou, sem previsão de retomada, as operações de uma das plantas em Itatiaiuçu, na região Central. Segundo o sindicato dos trabalhadores, a medida gerou 280 demissões diretas.
Poucos dias depois, a Itaminas anunciou férias coletivas para 300 funcionários da unidade de Sarzedo, na RMBH. Os empregados voltaram ao trabalho no dia 28 de outubro.
No fim de setembro, a CSN Mineração decidiu pela redução temporária da produção de minério de baixa qualidade do complexo de Pires em Ouro Preto, na região Central. A empresa não informou se colaboradores foram impactados pela medida.
Já no começo de outubro, a Cabo Verde Mineração suspendeu a produção de minério de ferro entre Cabo Verde e Muzambinho, no Sul de Minas, sem expectativa de retorno. A medida resultou no desligamento de cerca de dez funcionários.
Também em outubro, a JMN Mineração anunciou a suspensão da produção entre Piracema e Desterro de Entre Rios, na região Central. Conforme o sindicato dos trabalhadores, a medida gerou 44 demissões e 39 transferências.
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