Eleições 2026: 6 livros para pensar a política antes de votar

Seis livros sobre política discutem desinformação, redes sociais, erosão institucional e formação cidadã em um país dividido
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Eleições 2026: 6 livros para pensar a política antes de votar
Foto: Reprodução Adobe Stock

Neste domingo (4), 158.745.463 eleitores poderão votar no primeiro turno das Eleições 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Minas Gerais responde por uma fatia expressiva desse total, com 16.377.659 eleitores, ou 10,32% do eleitorado nacional, atrás apenas de São Paulo. No Estado, a escolha inclui governador e vice, dois senadores, 53 deputados federais e 77 deputados estaduais, além do presidente da República. Acompanhe a cobertura completa das Eleições 2026 em Minas.

Boa parte da disputa, no entanto, acontece longe dos palanques. É no celular, entre grupos de mensagens e feeds organizados por algoritmos, que muitos eleitores formam opinião, compartilham conteúdo e se informam (ou se desinformam) sobre candidatos. O ambiente favorece a reação rápida, a divisão em campos opostos e a desconfiança em relação às instituições, temas que deixaram de ser assunto de especialistas e chegaram à mesa de jantar e ao ambiente de trabalho.

O debate também ocupa as estantes. O Diário do Comércio reuniu seis livros sobre política que, por caminhos diferentes, tentam explicar como o País chegou a esse ponto e o que está em jogo na hora do voto.

Polarização no Brasil não começou com as redes

Quem enxerga na polarização um fenômeno nascido com as redes sociais encontra um contraponto em 1897: A República Polarizada e o Atentado Contra Prudente de Morais. Com base em mais de 600 referências, Ely Carneiro de Paiva reconstitui um dos anos mais conturbados do início da República, marcado por radicalização política, corrupção, violência e circulação de notícias falsas. O autor percorre os bastidores do governo de Prudente de Morais até o atentado contra o presidente, que dá título ao livro. A pesquisa mostra que parte das tensões atuais tem raízes antigas na formação política e social do País.

Quando a lei serve para enfraquecer a democracia

Se o risco do século 19 vinha das armas, o do século 21 pode vir dos próprios instrumentos legais. É o que discute Anna Catharina Machado Normanton em Constitucionalismo abusivo. Apoiada em teoria, jurisprudência e direito comparado, ela analisa como mecanismos constitucionais legítimos podem ser usados para corroer a ordem democrática de forma gradual, sem ruptura aparente. A autora amplia o conceito ao identificar estratégias institucionais que mantêm a fachada de legalidade enquanto desgastam instituições e princípios democráticos.

O voto, o algoritmo e as fake news

O advogado Bento José Lima Neto parte de uma pergunta direta ao leitor em Democracia Híbrida e Sistema Eleitoral no Brasil: quem decidiu o seu voto, você ou o algoritmo? Para ele, o País vive uma democracia dividida entre a urna física e a influência digital. O livro examina os mecanismos algorítmicos que interferem no debate público e discute em que medida as escolhas do eleitor são moldadas pelo ambiente informacional das redes.

A mesma inquietação aparece, por outro ângulo, em Falo, logo existo! Da praça de Atenas ao feed: como a palavra sequestrou o pensamento. O escritor Luciano Claudino refaz a trajetória do debate público, de Sócrates às plataformas digitais, e sustenta que, diante de opiniões instantâneas e julgamentos sumários, pensar se tornou um exercício de resistência. Ele defende questionar antes de reagir, escutar antes de responder e reconhecer os próprios limites como parte da construção de ideias próprias.

Como discordar sem romper, na família e nas empresas

A divisão política não fica restrita às redes. Chega às famílias, às amizades e às empresas, onde gestores lidam com equipes que pensam de forma oposta. Em Comunicação Responsiva, o professor Lucas Nascimento reúne ferramentas práticas para conversas difíceis no debate político, nas relações pessoais e nos negócios. A proposta é substituir a resposta impulsiva por uma argumentação ética e eficaz em situações de tensão, o que, na visão do autor, permite construir uma divergência democrática em vez de um rompimento.

Alfabetização política para novos eleitores

O último título da lista mira a base do problema. O cadastro eleitoral deste ano reúne 3.571.159 eleitores com 18 anos ou menos, 2,25% do total, muitos deles votando pela primeira vez. Em Política: decifra-me ou te devoro, o professor Edson Gabriel Garcia contesta a máxima de que política não se discute e propõe a alfabetização política como ferramenta de formação cidadã. O autor lembra que se afastar do debate também tem consequências e trata de voto, fake news e polarização como temas que dizem respeito a todos.

Serviço

Falo, logo existo! Da praça de Atenas ao feed: como a palavra sequestrou o pensamento, de Luciano Claudino (LC Books Editora). Disponível na Amazon.

Constitucionalismo abusivo, de Anna Catharina Machado Normanton (Contracorrente). Disponível na Amazon.

1897: A República Polarizada e o Atentado Contra Prudente de Morais, de Ely Carneiro de Paiva (Ayran). Disponível no site da editora.

Comunicação Responsiva, de Lucas Nascimento (Alta Books). Disponível na Amazon.

Democracia Híbrida e Sistema Eleitoral no Brasil, de Bento José Lima Neto (Tirant lo Blanch). Disponível na Amazon.

Política: decifra-me ou te devoro, de Edson Gabriel Garcia (Cortez). Disponível na Amazon.

Sobre o autor

Luciana Montes

Editora Executiva do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter e editora de Economia e Negócios entre 2004 e 2018. Graduada em Comunicação Social pela Fafi-BH, com pós-graduação em Tecnologias da Informação e Marketing em Comunicação. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luciana-montes


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