EDITORIAL | Agressão a Minas Gerais
É fato que a economia de Minas Gerais padece de um processo involutivo, notado mais claramente a partir da virada do século e já com pesadas consequências. Uma situação que, dentre outros aspectos, reflete a perda de representatividade política e, consequentemente, a capacidade de influenciar num sistema sabidamente centralizado. E não faltam questões objetivas, fatos concretos, capazes de ilustrar essa realidade, sendo evidente o distanciamento do poder central com relação ao Estado. Em nome da clareza e também da objetividade, fiquemos no mais recente deles, a disposição de transferir para outras regiões do País recursos captados com a antecipação da outorga de direitos de exploração da Estrada de Ferro Vitória a Minas, um valor estimado em aproximadamente quatro bilhões de reais.
Não é justo e não faz sentido, conforme está amplamente demonstrado e de Minas, dentre outras entidades que já se manifestaram, como a Sociedade Mineira de Engenheiros, além da Federação das Indústrias do Espírito Santo. E com o importantíssimo apoio das federações das indústrias do Sudeste, o que significa adesão também do Rio de Janeiro e São Paulo. Prevalece o entendimento de que é preciso consolidar o sistema logístico da região, que concentra a parcela maior da produção nacional, destinando-se os recursos levantados prioritariamente à implantação do chamado Ramal Sul, ligando Vitória, no Espírito Santo, ao Porto de Açu, no Rio de Janeiro, além de promover melhorias na própria Vitória-Minas, que tem 85% de seus trilhos em território mineiro.
Trata-se de uma questão objetiva, de racionalidade, mas igualmente de respeito, conforme aponta o presidente da Federação das Indústrias de Minas, Flávio Roscoe, de reconhecimento de uma prática antiga e que destina recursos financeiros obtidos com outorgas de diretos sejam aplicados nos estados onde os serviços são explorados. Fazer diferente, como se pretende e chegou a ser anunciado, será mais um gesto de má vontade com relação a Minas Gerais, obstando investimentos importantes que teriam impacto direto na economia regional, favorecendo investimentos, produção e geração de riquezas.
Eis porque a decisão, anunciada em Brasília, não pode ser aceita e muito menos dada por consumada. Eis o entendimento já devidamente explicitado das federações de indústrias que representam a região Sudeste e concentram a maior parcela da produção nacional, todas igualmente prejudicadas pelo arbítrio e pela má vontade. Na realidade, e como também já apontou a Fiemg, a questão não diz respeito exclusivamente a interesses regionais mas antes aponta a necessidade de melhorar as condições de movimentação de cargas, no caso atendendo 200 mil empresas responsáveis por 55% da produção industrial no País.
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