Agronegócio

Agro mineiro ganha impulso com abertura de mercado da Etiópia

Abertura para 17 produtos, incluindo carnes, anima setor produtivo mineiro; expectativa é diversificar destinos e reforçar presença internacional, apesar de crescimento modesto nas exportações para 2026
Agro mineiro ganha impulso com abertura de mercado da Etiópia
Foto: Reuters/Diego Vara

A abertura do mercado da Etiópia, na África, para 17 produtos agropecuários do Brasil – incluindo carnes bovina, suína e de aves – anunciada nessa terça-feira (7) pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua – foi bem recebida por setores estratégicos da economia mineira.

Para o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Feliciano Nogueira, a nova parceria comercial reforça a qualidade da produção no Estado. “Nós temos um histórico de relações comerciais com a Etiópia na exportação de carne de frango, em 2017. Também vendemos produtos à base de algodão, em 2025”, diz.

Apesar de neste primeiro trimestre ainda não terem sido registradas transações entre Minas Gerais e o país do Leste africano, Nogueira destaca que a Etiópia já conta com um adido agrícola do Mapa. “Isso nos permite iniciar contatos, desde já, com o objetivo de identificar possíveis demandas”, afirma.

Outro dirigente que também está otimista com a adesão do mercado etíope para os produtos agropecuários brasileiros é o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes, Derivados e de Frios de Minas Gerais (Sinduscarne), Pedro Braga. Para ele, cada novo destino conquistado torna o Brasil mais resiliente e menos vulnerável à pressões como a do tarifaço americano, que entre agosto e novembro de 2025 impactou a exportação de diversos insumos. “O mundo precisa saber que o Brasil é o maior exportador de proteína animal do Planeta. Temos qualidade de carne e sanidade reconhecida internacionalmente. Ano passado conquistamos o selo de país livre de febre aftosa sem vacinação e estamos trabalhando pesado, agora, na rastreabilidade da cadeia produtiva”, destaca.

Homem palestrando
Pedro Braga, presidente do Sinduscarne. Foto | Sebastião Jacinto Júnior/Sinduscarne

Braga também enaltece os números robustos da exportação de carnes no País, que o tornam uma potência aos olhos do mercado internacional. “Para além da abertura de mercado com a Etiópia, um destino com potencial real de crescimento para a carne brasileira, vale destacar que em 2025 o Brasil bateu todos os recordes e históricos de exportação nesse segmento”. Segundo ele, foram vendidas para o mercado internacional, 3,5 milhões de toneladas de carne bovina no ano passado, o que corroborou para uma receita de US$ 18 bilhões. “Na carne suína, por sua vez, chegamos a 1,5 milhão de toneladas exportadas, o que nos coloca na terceira posição de exportação desses produtos. Só no setor de carnes abrimos 19 novos destinos”, revela.

Exportações do agro em Minas devem crescer pouco e atingir US$ 20 bilhões em 2026

Segundo Feliciano Nogueira, mesmo com um 2026 já marcado por vulnerabilidades no âmbito econômico, por causa dos conflitos internacionais, a expectativa é que o setor de agronegócio em Minas Gerais feche o ano com US$ 20 bilhões em exportações. Apesar de o crescimento ser de apenas 1% em relação à receita de exportação obtida em 2025 (US$ 19,8 bilhões), o superintendente afirma que o mercado internacional segue sinalizando positivamente para o Estado. “Há todo um esforço, tanto da Seapa quanto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) e da Secretaria de Estado de Casa Civil de Minas Gerais (SCC) no sentido de trabalhar de forma conjugada e apresentar o agro mineiro para o mundo”, diz.

Ainda segundo Nogueira, em 2025, o agronegócio correspondeu por 44% das exportações totais do Estado. “Tivemos 16,2 milhões de toneladas exportadas de produtos agropecuários”, destaca.

Mercosul, Europa e EUA impulsionam relações comerciais do agro mineiro

O superintendente da Seapa conta que Minas Gerais tem relações comerciais bem estabelecidas com os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul), fomentadas por meio de missões internacionais. “No ano passado, estivemos no Peru e no Paraguai e, em 2023, na Argentina. Então, há uma parceria muito positiva de Minas com o Mercosul no que diz respeito às exportações”, conta.

Quanto ao networking com a União Europeia, o mais recente deles ocorreu em março, quando integrantes do governo acompanharam 27 membros da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), no Norte de Minas, em uma comitiva para apresentar a bebida em uma feira internacional em Barcelona, na Espanha.

“Com os Estados Unidos, por sua vez, o café continua sendo um produto bastante demandado, assim como a carne bovina. Houve todo aquele momento de arrefecimento com a questão do tarifaço, mas o comércio já vem sendo restabelecido. Então, a gente percebe que os parceiros comerciais ainda têm visto o Brasil e Minas Gerais com um potencial muito grande no fornecimento de insumos do agro”, conclui.

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