Newcastle tem impacto limitado nas exportações de frango de Minas

China mantém compras de frango mineiro, enquanto suspensão mexicana acrescenta desafios ao setor avícola de Minas Gerais.
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Newcastle tem impacto limitado nas exportações de frango de Minas
Foto: Reprodução/ Adobe Stock/ Nitr

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina, não deve provocar impactos expressivos, neste primeiro momento, sobre as exportações de carne de frango de Minas Gerais. Apenas o México, sexto mercado para a carne produzida no Estado, suspendeu totalmente as compras do produto brasileiro. Já a China, principal comprador do frango mineiro, suspendeu a aquisição somente em frigoríficos de Santa Catarina, preservando, a princípio, o comércio com estabelecimentos habilitados de outros estados.

A carne de frango tem papel relevante nas exportações do agronegócio mineiro. De janeiro a setembro de 2026, Minas Gerais exportou US$ 321,7 milhões em carne de frango, correspondentes a 154,1 mil toneladas, registrando crescimento de 17,1% em valor e 7,2% em volume em relação ao mesmo período de 2025.

Conforme a assessora técnica da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Manoela Oliveira, a regionalização das medidas sanitárias é fundamental para evitar que uma ocorrência localizada comprometa toda a cadeia produtiva nacional. A preocupação maior está relacionada ao México, que suspendeu temporariamente as compras de produtos avícolas de todo o Brasil.

“Embora a decisão mexicana represente um obstáculo adicional para os exportadores mineiros, o país ocupa a sexta posição entre os principais destinos da carne de frango de Minas Gerais. A China, por sua vez, tem peso significativamente maior na pauta estadual”, explicou.

Leia mais: Governo impõe emergência zoossanitária após detectar Newcastle em SC

Conforme o Mapa, em função da confirmação da Newcastle, a suspensão das importações provenientes de todo o Brasil para o México inclui aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia.

Nos primeiros nove meses do ano, conforme a Seapa, Minas Gerais exportou US$ 321,7 milhões em carne de frango, volume equivalente a 154,1 mil toneladas. Desse total, o México configurou como o sexto maior destino da carne de frango mineira, com as exportações somando US$ 12,2 milhões e o embarque de 4,3 mil toneladas. No período, houve retração de 54,6% em valor e 55,6% em volume na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

As vendas para o México envolvem, principalmente, peitos desossados congelados, responsáveis por aproximadamente 99% da receita.

“É importante observar que essa redução ocorreu antes da confirmação do foco de Newcastle, em outubro, não podendo ser atribuída ao episódio sanitário recente. A queda registrada no período esteve associada principalmente à diminuição dos volumes comercializados, uma vez que o preço médio do produto ficou estável. A suspensão temporária das importações de produtos avícolas provenientes de todo o Brasil representa um risco adicional para um mercado que já apresentava retração, podendo dificultar a recuperação dos embarques mineiros caso as restrições permaneçam por um período prolongado”, disse a assessora técnica.

No mesmo período, a China respondeu por US$ 69,5 milhões das vendas mineiras, correspondentes a 23,4 mil toneladas de carne de frango. Dos 103 parceiros comerciais de Minas, o mercado chinês concentrou 21,6% das compras do produto estadual e registrou crescimento expressivo de 107,1% em valor e de 97,2% em volume na comparação com os primeiros nove meses de 2025.

Manoela Oliveira analisou que o crescimento das exportações para a China merece destaque não apenas pelo aumento expressivo das vendas, mas também pelo perfil dos produtos comercializados. Os embarques de asas e os pés de frango responderam por aproximadamente 97% da receita gerada com os embarques para a China.

“Trata-se de produtos com demanda específica, que nem sempre encontram a mesma valorização ou capacidade de absorção em outros países. Nesse contexto, a decisão chinesa de restringir as importações apenas de Santa Catarina, onde foi confirmado o foco da doença de Newcastle, representa um encaminhamento favorável para Minas Gerais. A medida, anunciada pelo Mapa, preserva, a princípio, o comércio com estabelecimentos habilitados de regiões não afetadas”, comemorou.

As perspectivas para as exportações mineiras de carne de frango nos próximos meses, segundo Manoela Oliveira, dependerão, principalmente, da evolução do quadro sanitário da Newcastle, da duração das restrições comerciais e da capacidade de manutenção e diversificação dos mercados compradores.

“A preservação do acesso ao mercado chinês representa um fator positivo, considerando o peso na pauta mineira e o crescimento expressivo registrado em 2026. Por outro lado, a suspensão nacional adotada pelo México poderá representar dificuldades adicionais para os exportadores, especialmente diante da retração já observada no mercado”, finalizou a assessora técnica da Seapa.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas