Agronegócio

Grupo Trebeschi recorre à recuperação judicial após acumular dívida de R$ 1,27 bilhão

Produtor de tomates mineiro, com operação de grande porte, busca reestruturar passivo bilionário e manter atividades
Grupo Trebeschi recorre à recuperação judicial após acumular dívida de R$ 1,27 bilhão
Crédito: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

O Grupo Trebeschi, um dos principais produtores de tomates do Brasil, com operações em Minas Gerais, entrou com pedido de recuperação judicial com um passivo que ultrapassa R$ 1,27 bilhão. O valor expressivo da dívida é o principal destaque do processo protocolado na 1ª Vara Cível da Comarca de Araguari, Triângulo Mineiro, ao qual o Diário do Comércio teve acesso.

De acordo com a petição inicial, o grupo soma ativos de aproximadamente R$ 287 milhões, o que revela um descompasso significativo em relação ao endividamento total – um déficit próximo de R$ 1 bilhão. O valor da causa foi fixado em R$ 637 milhões.

O pedido de recuperação judicial reúne diversas empresas do grupo, além dos produtores rurais Edson e Érico Trebeschi, que atuam de forma integrada na produção e comercialização de hortaliças e grãos, com destaque para a tomaticultura. Ao longo das últimas décadas, o grupo expandiu sua atuação para diferentes regiões do País, estruturando uma operação de grande porte no setor agrícola.

Segundo o documento, a crise econômico-financeira decorre de uma combinação de fatores externos. Entre eles, estão adversidades climáticas severas nos últimos anos, aumento expressivo nos custos de produção, especialmente com fertilizantes, elevação das taxas de juros e queda nos preços de commodities agrícolas, como soja e milho. Esse cenário teria pressionado as margens e comprometido o fluxo de caixa das operações.

A petição também aponta que, entre 2024 e 2025, o grupo contratou mais de R$ 500 milhões em novos financiamentos para manter as atividades, o que contribuiu para o aumento do endividamento. Em períodos anteriores, apenas contratos de custeio agrícola já haviam superado R$ 176 milhões.

Diante da incapacidade de honrar compromissos financeiros no curto prazo, os requerentes afirmam que a recuperação judicial é necessária para reestruturar as dívidas, preservar as atividades produtivas e manter empregos. O grupo sustenta ainda que a crise é conjuntural e que possui viabilidade econômica para retomar o equilíbrio financeiro por meio de um plano a ser apresentado aos credores.

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