Minas ganha terceiro Centro de Referência na Qualidade da Cachaça em Salinas
A produção da cachaça de alambique, considerada Patrimônio Cultural dos mineiros desde 2007, ganhou mais uma ferramenta para avançar na qualidade e legalização da bebida em Minas Gerais. Através do aporte de R$ 780 mil, está em implantação, em Salinas, no Norte do Estado, o terceiro Centro de Referência na Qualidade da Cachaça. Com previsão de conclusão de todo o processo de manutenção, estruturação e certificação para 2028, a estimativa é que a unidade atenda produtores da região realizando testes e capacitações fundamentais para o melhoramento contínuo da produção de cachaça.
Vinculado ao Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Salinas, o centro receberá em torno de R$ 780 mil para manutenção de equipamentos já existentes voltados para análise de cachaça, à aquisição de novos equipamentos e também a validação de metodologias analíticas da cachaça. O recurso foi viabilizado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Conforme a diretora de Comercialização e Mercados da Seapa-MG, Sandra Regina Carvalho dos Santos, o laboratório tem como objetivo apoiar os produtores nas análises físico-químicas necessárias para obter e manter o registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Por estar em Salinas, principal região produtora de cachaça do Minas, a unidade facilitará o acesso dos produtores a esses serviços, reduzindo custos com logística e transporte.
“Ter um laboratório a nível regional, como o de Salinas, é importante para que o produtor consiga ter acesso mais facilitado às análises necessárias de forma que ele não gaste muito com logística e transporte. Sem a unidade, muitas vezes, os testes acabam sendo realizados em outros estados e isso encarece muito o custo”, reforçou a representante da Seapa.
A previsão é que a aquisição de equipamentos, reformas e manutenção levem cerca de 12 meses. Logo após, a unidade passará pela padronização das análises e metodologias. Assim, o atendimento aos produtores deve começar a partir de 2028.
“Enquanto o laboratório não atende diretamente os produtores com a emissão de laudos, serão realizadas ações de comunicação institucional, principalmente, em eventos do setor, para informar a comunidade sobre o novo centro e seus serviços. O laboratório também precisará de amostras de cachaça para padronizar suas análises, iniciando assim uma parceria com os produtores desde já”, explicou Sandra Regina.
Além dos testes, o Centro de Referência na Qualidade da Cachaça em Salinas terá um papel fundamental na capacitação dos produtores. Ao realizar os testes das cachaças e se identificada alguma inconformidade, o produtor será orientado sobre como corrigir o problema.
“O Centro de Referência atua além da prestação do serviço, há todo um trabalho de capacitação do produtor de cachaça. É uma iniciativa que visa alinhar a academia, a pesquisa com o setor produtivo. É muito importante que a gente tenha esses laboratórios e o produtor possa fazer as análises, sejam capacitados e certificados”, acrescentou a diretora da Seapa.
O Centro de Salinas se junta a outros dois laboratórios já inaugurados no Estado. O primeiro foi em Lavras (2024) e, o segundo, em Florestal (2025), totalizando um investimento de quase R$ 8 milhões do governo na acreditação de laboratórios para o setor da cachaça. Em Florestal, são realizadas cerca de 80 análises por mês e, em Lavras, mais de 400 análises foram feitas no ano passado.
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