Café sem Filtro

Plataforma Parque Cafeeiro e normativas internacionais: O café brasileiro como protagonista

Ferramenta tecnológica pública, gratuita e inovadora, foi criada para certificar e rastrear a produção
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O café brasileiro nos enche de orgulho. Fruto de tradições centenárias, do trabalho intenso de produtores apaixonados por cada etapa do processo e de uma das principais engrenagens da economia nacional, o café do Brasil deu, nesta semana, um passo decisivo rumo à modernização e à sustentabilidade. Em Brasília, na manhã de 24 de fevereiro de 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou oficialmente a Plataforma Parque Cafeeiro, uma ferramenta tecnológica pública, gratuita e inovadora, criada para certificar e rastrear a produção de café, atendendo às novas exigências ambientais globais, especialmente às estabelecidas pela União Europeia (UE).

A iniciativa surge em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Como é amplamente reconhecido, o Brasil é atualmente o maior produtor e exportador de café do mundo, com safras que superam 60 milhões de sacas por ano. Diante dessa relevância, a adoção de padrões rigorosos de sustentabilidade e rastreabilidade deixou de ser uma tendência para se tornar uma exigência indispensável à manutenção e à ampliação da presença brasileira nos mercados mais exigentes, agregando valor e fortalecendo a competitividade internacional.

A importância do café brasileiro para o mundo vai muito além dos números expressivos de produção e exportação. Como maior exportador global, o Brasil exerce papel estratégico no abastecimento internacional, garantindo regularidade, qualidade e diversidade de grãos que atendem aos mais distintos perfis de consumo. O café brasileiro está presente em milhões de lares, cafeterias e indústrias, sendo elemento central na cultura alimentar de diversos países. Nesse contexto, Minas Gerais se destaca como o maior estado exportador do País, concentrando vasta produção, tradição técnica e excelência reconhecida mundialmente.

O novo sistema, denominado Parque Cafeeiro, integra, por meio de tecnologia avançada, diversas bases de dados governamentais, reunindo informações ambientais e territoriais, monitoramento por satélite e conexão quase em tempo real via APIs (Application Programming Interfaces). Essa arquitetura tecnológica permite que produtores, cooperativas e agentes exportadores verifiquem se as áreas de produção atendem a critérios ambientais rigorosos e emitam a declaração de conformidade ao Regulamento (UE) 2023/1115, norma europeia que proíbe a comercialização de produtos associados ao desmatamento ocorrido após dezembro de 2020.

Além de cumprir as diretrizes ambientais internacionais, a plataforma consolida-se como um verdadeiro instrumento de gestão territorial e inteligência estratégica para toda a cadeia cafeeira. O sistema identifica geograficamente as propriedades rurais produtoras, cruza informações com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e verifica a conformidade das áreas em relação a desmatamento, sobreposição com terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação. Essa robustez técnica foi construída em articulação com ministérios, institutos de pesquisa e órgãos públicos, reforçando o caráter colaborativo, transparente e inovador da iniciativa, que posiciona o Brasil na vanguarda da produção cafeeira sustentável.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Juliane Maciel

Diretora executiva na Loop Vídeo, diretora de negócios na Oitenta Café, sócia na Oliva Comunicação, embaixadora do Capitalismo Consciente, conselheira consultiva, articulista no OCI, colunista no Diário do Comércio e entusiasta do mundo dos cafés.

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