Colheita da soja em Minas começa com previsão de 8,9 milhões de toneladas
A colheita da soja da safra 2025/26 já começou em Minas Gerais, inicialmente em áreas irrigadas e de ciclo curto. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a expectativa é de uma boa produção, chegando em torno de 8,9 milhões de toneladas e ficando apenas 2,2% inferior à safra passada. Já em relação ao mercado, produtores seguem enfrentando preços baixos, custos elevados e instabilidades de mercados.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja, Milho, Sorgo e outros Grãos Agrícolas do Estado de Minas Gerais (Aprosoja-MG), Fábio Meirelles Filho, ressalta que as expectativas em relação à safra são positivas, mas que os produtores terão desafios.
“A expectativa de produção para a soja em Minas Gerais continua muito boa, mas, como estamos perto da área de pivô, isso pode dificultar a colheita com as chuvas registradas. A logística continua sendo o principal desafio, assim como a falta de equipamento como colheitadeira para agilizar nesse período. Na safra atual, a janela de plantio da segunda safra ficou apertada e vai até final de fevereiro, então, quem plantou área de pivô precisa correr para antecipar fortemente o que pode ser colhido e, assim, conseguir implantar uma nova cultura dentro das regras estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)”.
Conforme a Conab, a previsão é que Minas Gerais colha 8,9 milhões de toneladas de soja, uma queda de 2,2% frente à safra de grãos de 2024/25. A área de cultivo ficou 1,1% maior, somando 2,34 milhões de hectares.
Neste ano-safra, o atraso das chuvas reduziu a produtividade da soja, que está estimada em 3,8 toneladas por hectare, 3,3% menor que na safra anterior. Os técnicos da Conab explicam que as precipitações de outubro e novembro ficaram bem abaixo da média para o Estado, comprometendo parte do desenvolvimento da leguminosa. Já a partir de dezembro, com o retorno de melhores volumes de chuva, a soja apresentou boa recuperação e as plantas encontram-se com um número elevado de vagens, compensando parte do potencial produtivo.
Na avaliação da Conab, as lavouras irrigadas já colhidas apresentam excelentes produtividade, com rendimentos médios superiores a 4 toneladas por hectare. Por outro lado, as primeiras lavouras de sequeiro que serão colhidas foram aquelas mais afetadas pelo clima mais seco e terão rendimentos inferiores.
“O produtor segue fazendo a parte dele, se onerando e fazendo dívidas porque tem que continuar plantando e honrando os compromissos. Esperamos que, com a regularização das chuvas, a produtividade realmente possa ajudar o produtor a, pelo menos, pagar as contas”, reforça o presidente da Aprosoja-MG.
As lavouras de soja também enfrentam a incidência de mosca-branca, principalmente nas áreas de baixa altitude. Conforme a companhia, com o clima favorável, os insetos se reproduzem mais rapidamente, mantendo a infestação sem tempo hábil para que as aplicações surtam efeitos. Também agravou essa situação os longos períodos chuvosos que foram registrados em janeiro, que culminou em atraso das pulverizações para controle de pragas e doenças.
Mercado da soja
Além dos desafios climáticos, Meirelles Filho destaca que o setor, desde as últimas safras, vem enfrentando quedas de preços em um cenário de custos elevados. A saca da soja é negociada em torno de R$ 111, baixa de 1,8% frente ao mês anterior.
“Os preços da soja estão assustadoramente baixos, enquanto os custos de produção não param. Os gastos com logística, frete e armazenagem estão muito caros e os produtores vão enfrentar, duramente, um ano com taxa exorbitante de juros no mercado. Nesta safra, vai ficar muito difícil para o produtor segurar a soja em uma expectativa futura de preço melhor frente a um cenário de insegurança de mercado. O risco é gigantesco”, explicou
Ainda conforme Meirelles, em relação à comercialização da safra, os riscos são altos. “Os riscos são extremamente poderosos quando analisamos a situação internacional, os bloqueios, a taxação do governo americano. Ainda existe o acordo do Mercosul com a União Europeia onde temos expectativas, mas há uma grande quantidade de itens e precisamos saber o que realmente será aprovado”.
Meirelles acrescenta ainda que, apesar dos últimos anos terem sido marcados por eventos climáticos complexos, o que prejudica em muito o agronegócio, o governo federal restringiu recursos voltados para o seguro agrícola.
“Os produtores, além das taxas juros altíssimas, vêm enfrentando cenários climáticos complexos. Mesmo com tudo isso, o governo federal reduziu o seguro agrícola e, praticamente, nós não temos mais valores expressivos garantindo a safra, são risco que os produtores enfrentam e vão enfrentar cada vez mais”, critica o dirigente.
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