Tensão entre Irã e EUA pode redirecionar exportações do agro mineiro
Com a possibilidade de que os Estados Unidos apliquem sobretaxas de 25% em países que mantêm negócios com o Irã, anunciado pelo presidente Donald Trump nesta segunda-feira (12), representantes da soja mineira defendem que exportação para o país asiático seja redirecionada para novos mercados.
O grão é o principal item enviados ao país asiático. Em 2025, 155 mil toneladas foram vendidas para o Irã, o que gerou uma receita de US$ 62 milhões. Para comparação, o país é o 37º principal destino de vendas, totalizando US$ 91,6 milhões, o que corresponde a mais de 67% do comércio mineiro para Teerã, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG).
O resultado, em comparação com 2024, mostra um crescimento significativo, com aumento de 33% das receitas e 70% no volume vendido ao país.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja de Minas Gerais, Fábio Salles Meirelles Filho, afirmou que os produtores mineiros devem redirecionar suas exportações para mercados que não tenham a promessa de ser sobretaxados.
“Se realmente houver uma ordem mundial nesse sentido de restrição à exportação, a gente tem que dar uma guinada, deixar de exportar para estes países e buscar outro mercado que a gente corra menos risco”, disse.
O presidente sugere que sejam buscados mercados próximos ao iraniano, em regiões vizinhas, e até avançar no trabalho com a soja para vender um produto de maior valor agregado.
“Teríamos que estimular a comercialização com países asiáticos, com alguns países árabes que também têm interesse nos nossos produtos e verificar a capacidade para transformar esse produto e vendê-lo pronto ao invés de vender como commodities”, afirmou Meirelles Filho.
O agronegócio é responsável pela quase totalidade do que Minas envia ao país. Após a soja, vêm o milho, com 134 mil toneladas a US$ 29 milhões; e o café, com apenas 266 sacas, com receita de US$ 153 mil.
Na contramão, o Irã é responsável por vender apenas US$ 574 mil ao Estado, principalmente nozes, castanhas, conservas de frutas e produtos de origem animal.
Comércio Brasil-Irã
Enquanto as importações mineiras do Irã ficam restritas a castanhas, frutas e produtos de origem animal, lideraram a relação comercial com o Brasil em 2025, adubos e fertilizantes químicos, com volume de 184 mil toneladas.
Apesar disso, o país é apenas o 22º principal fornecedor deste insumo, segundo o Comex Stat, portal do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Já o principal item vendido pelo Brasil para lá é o milho em grãos, com mais de 9 milhões de toneladas em 2025, no valor de quase US$ 2 bilhões. O que coloca o país como maior comprador deste item no mundo, seguido por Egito e China.
No último ano, o país asiático comprou US$ 2,92 bilhões em produtos brasileiros.
Além do cereal, completam a lista dos cinco itens que o País mais vendeu para os iranianos: soja, açúcar, farelos de soja e óleos combustíveis.
Medida dos Estados Unidos
A decisão de Donald Trump de sobretaxar países que façam negócios com o Irã tem como intuito pressionar o governo, liderado por Ali Khamenei. A população vem se manifestando devido a questões econômicas que vêm atingindo o país, como desvalorização da moeda para a mínima histórica, inflação acima de 40% e o aumento da desigualdade.
Os protestos, que se iniciaram em dezembro, tiveram uma escalada nos últimos dias, após as Forças Armadas reprimirem as manifestações, que resultaram na prisão de civis.
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