Abimaq defende acordo UE-Mercosul, mas diz que competitividade depende de mudanças internas
O setor produtivo brasileiro acompanha com cautela a suspensão do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defende a manutenção do acordo, destacando o potencial da área de livre mercado para impulsionar a economia e fortalecer a indústria nacional. Embora o momento seja de incerteza, não houve críticas diretas à postura europeia, que mais uma vez demonstrou resistência à consolidação de uma área de livre comércio entre os dois blocos.
“A Abimaq acompanha com atenção os recentes avanços rumo à assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia e reafirma seu posicionamento favorável à ampliação da inserção internacional da indústria brasileira. A entidade reconhece a importância do Acordo como instrumento para ampliar o acesso a mercados, integrar o Brasil às cadeias globais de valor e criar oportunidades para o Brasil e para o setor de máquinas e equipamentos. O acordo é uma grande oportunidade para os produtores de bens e serviços brasileiros atingirem um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores e 22 trilhões de dólares de PIB”, diz em nota.
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Mudanças são essenciais para competitividade
A Abimaq avalia que o acordo precisa garantir benefícios concretos para ambos os lados. Segundo a entidade, a indústria de transformação europeia é hoje mais competitiva do que a do Mercosul, o que torna insuficiente a simples assinatura do tratado para ampliar as exportações brasileiras de bens manufaturados.
“Sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a União Europeia. Se a balança comercial total entre o Brasil e a União Europeia é neutra, próximo de zero, a balança comercial de manufaturados é altamente negativa ao Brasil, superando os 25 bilhões de dólares de déficit anual”, explica a entidade.
Redução que pode levar 15 anos
O desejo da associação em ter garantias de que as regras do acordo sejam cumpridas de fato, é um sinal de cautela, sem perder de vista o potencial da junção Europa-América do Sul. Para máquinas e equipamentos, o tempo de progressão tarifária até chegar perto de zero pode levar um prazo considerável, o que geraria menor competitividade da indústria nacional.
“Os prazos de desgravação, isto é, para a redução progressiva das tarifas de importação, previstas no acordo, para o setor industrial é longo. O prazo para máquinas e equipamentos varia entre 10 e 15 anos. Esse período oferece ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no País: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico e fortalecer a competitividade da indústria nacional”, conclui a nota da Abimaq.
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