Acordo de Brumadinho: R$ 20 bilhões investidos em cinco anos
Desde a assinatura do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, em fevereiro de 2021, foram investidos mais de R$ 20 bilhões na reparação e compensação dos danos socioeconômicos e ambientais causados pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em 2019.
O valor foi apresentado pelo governo de Minas Gerais nesta quarta-feira (4) durante evento de prestação de contas do pacto, que garantiu R$ 37,6 bilhões para obras e medidas reparatórias no Estado, com prazo de execução de dez anos, em nove áreas, incluindo saúde, infraestrutura, meio ambiente, economia e educação.
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Em cinco anos também foram definidos 421 projetos voltados à reparação dos danos, sendo 85% deles destinados à região diretamente atingida. Do total de iniciativas, 309 estão em andamento. Já as ações finalizadas ocorreram em várias frentes.
Entre as entregas estão, por exemplo, R$ 2,5 bilhões investidos em infraestrutura nas cidades atingidas, como na recuperação de cerca de 1,3 mil km de asfalto e na aquisição de 106 ônibus para os municípios afetados, e mais de R$ 300 milhões em segurança hídrica.
O Estado destacou que parte dos recursos do acordo se destina a obras expressivas, como a do metrô de Belo Horizonte, a do Rodoanel Metropolitano e aos hospitais regionais de Teófilo Otoni – já concluído –, Divinópolis, Conselheiro Lafaiete e Sete Lagoas.
Em discurso, o governador Romeu Zema (Novo) disse que o dinheiro está sendo aplicado de forma criteriosa para que a vida das pessoas melhore. “Nada trará as vítimas de volta ou amenizará a dor de quem ficou, mas, pelo menos, estamos deixando um estado melhor para aqueles que sobreviveram, com estradas melhores, mais hospitais e unidades de saúde, mais praças, melhor educação, avanços em todas as áreas. É o mínimo que se espera”, salientou.
Associação de familiares das vítimas diz que reparação é lenta
Em coletiva de imprensa após a apresentação, a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos da Tragédia do Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), Nayara Porto, afirmou que existe uma morosidade na reparação. Ela explicou que falta agilidade, sobretudo em relação às ações em Brumadinho, epicentro do desastre.
“Falta chegar essa reparação em Brumadinho. Temos algumas obras que foram iniciadas, mas ainda não temos obras inauguradas. Então, uma das nossas cobranças para o Estado de Minas Gerais é que eles tenham um olhar especial para Brumadinho, porque foi lá que ocorreu a tragédia”, explicou. “Essa reparação não pode acontecer de baixo para cima, ela tem que partir de Brumadinho para baixo. É isso que esperamos do governo”, ressaltou.
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