Alckmin defende ampliação das exportações e diz que governo seguirá negociando com os EUA

Vice-presidente afirma que ampliar acordos comerciais é essencial para fortalecer a economia, reduzir os efeitos das tarifas dos Estados Unidos e abrir novos mercados para produtos brasileiros
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Alckmin defende ampliação das exportações e diz que governo seguirá negociando com os EUA
Geraldo Alckmin | Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte, que ampliar as exportações e acelerar a abertura de novos mercados será a principal estratégia do governo para reduzir os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e fortalecer a economia brasileira. A declaração foi dada durante o evento Eloos Itatiaia – Ciclo Indústria, em Belo Horizonte.

Segundo Alckmin, o Brasil precisa avançar na celebração de acordos comerciais para ampliar sua competitividade internacional. “Quando a gente não faz acordo comercial, não é que ficou parado. É que o concorrente fez acordo e passou a ter preferência sobre o seu produto”, afirmou.

O vice-presidente citou a Embraer como exemplo de empresa que alcançou posição de destaque mundial graças às exportações. “A Embraer só está entre as três maiores indústrias aeronáuticas do mundo porque exporta para os cinco continentes. Exportação é fundamental para ganhar escala”, disse.

Durante a apresentação, Alckmin ressaltou que a maior parte das exportações mineiras não foi atingida pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, cerca de 75% dos produtos exportados por Minas Gerais estão fora do chamado “tarifaço”, incluindo café, ferro-gusa e laranja, itens relevantes da pauta exportadora do Estado.

Outros 12% das exportações mineiras estão enquadrados na Seção 232, que abrange produtos como aço, cobre, alumínio, veículos e autopeças. Segundo o vice-presidente, nesses casos, o Brasil enfrenta as mesmas tarifas aplicadas aos demais países, sem perda de competitividade em relação aos concorrentes internacionais.

Já aproximadamente 15% das exportações estão sujeitas às tarifas da Seção 301, tema que continua sendo negociado pelo governo brasileiro.

“O governo não vai sair da mesa de negociação. São momentos difíceis, mas isso passa. Vamos trabalhar intensamente para resolver esse problema, porque é injusto. O produto americano entra no Brasil pagando cerca de 3% de imposto de importação, e não faz sentido cobrar 25% sobre o produto brasileiro”, afirmou.

Alckmin também destacou que os Estados Unidos registram superávit comercial na relação com o Brasil, diferentemente da maior parte de seus parceiros comerciais, argumento que, segundo ele, reforça a necessidade de rever as medidas tarifárias.

Além das negociações com os norte-americanos, o vice-presidente afirmou que o governo continuará buscando novos mercados para as exportações brasileiras. Ele lembrou que o país registrou recorde de US$ 349 bilhões em exportações em 2025 e voltou a bater recorde no primeiro semestre deste ano, com US$ 184 bilhões embarcados.

Agro ganha novos mercados

O agronegócio foi apontado por Alckmin como um dos setores com maior potencial para ampliar as exportações brasileiras nos próximos meses.

Segundo o vice-presidente, o Brasil está próximo de retomar as exportações de carne bovina para a Coreia do Sul. Uma missão técnica sul-coreana deve visitar o País ainda em agosto para avaliar as condições sanitárias, etapa considerada decisiva para a abertura desse mercado.

O vice-presidente afirmou ainda que o governo também segue negociando a ampliação das exportações de carne para a Europa. No caso da carne de frango, demonstrou otimismo e disse acreditar que as restrições possam ser superadas até outubro, em razão do ciclo produtivo mais curto da atividade.

Alckmin também ressaltou que o governo intensificou os mecanismos de defesa comercial para proteger a indústria nacional diante do excesso de oferta de produtos asiáticos. Entre as medidas adotadas estão a abertura de processos antidumping e a elevação de tarifas de importação em setores específicos, quando comprovada a prática de concorrência desleal.

Eloos Itatiaia

O Eloos Itatiaia Indústria integra o ciclo de encontros promovido pela rádio Itatiaia, com o apoio do Diário do Comércio.

A iniciativa busca debater os gargalos históricos da infraestrutura nacional e discutir soluções capazes de gerar oportunidades de investimento, além de apontar caminhos para a modernização dos serviços urbanos, a ampliação da mobilidade e o fortalecimento do desenvolvimento econômico.

O projeto também tem como objetivo estimular o debate público qualificado sobre temas estratégicos para o desenvolvimento do País, reunindo especialistas, autoridades e representantes do setor produtivo.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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