EUA isentam ferro-gusa de nova tarifa e trazem alívio para o setor

Usinas mineiras buscam voltar à normalidade no mercado norte-americano após a decisão
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EUA isentam ferro-gusa de nova tarifa e trazem alívio para o setor
Foto: Divulgação SDS Siderúrgica

O ferro-gusa foi isento da tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros importados, a partir desta sexta-feira (24), sob a justificativa de que o País falha em proibir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado. A exclusão trouxe alívio às usinas mineiras, que agora buscam voltar à normalidade no mercado norte-americano.

O produto também havia ficado de fora da sobretaxa de 25% que os EUA impuseram a mercadorias importadas do Brasil desde a última quarta-feira (22), alegando atos, políticas e práticas irrazoáveis que oneram ou restringem o comércio norte-americano. Mesmo aliviada por essa decisão, a indústria ainda temia a inclusão do ferro-gusa no novo tarifaço.

Se não entrasse na lista de isenções de ambas as tarifas, o ferro-gusa seria o produto de Minas Gerais mais afetado pelas medidas. O Estado responde pela maior parte da produção nacional e o mercado norte-americano é disparado o principal cliente.

O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG) estimava que mais da metade das usinas brasileiras de ferro-gusa poderia paralisar as atividades em razão de uma sobretaxa de 37,5% sobre as exportações para os EUA. A entidade demonstrava preocupação com os impactos, sobretudo para o polo de Sete Lagoas e a economia local.

Caso o ferro-gusa fosse incluído apenas em uma das duas medidas, as consequências também seriam desastrosas para o setor. O motivo está relacionado à perda de competitividade frente a outros fornecedores do mercado norte-americano.

A sobretaxa de 25% é exclusiva para produtos brasileiros, o que automaticamente confere desvantagem comercial ao País. Já a tarifa de 12,5% também vigora para outras nações, no entanto, não atinge, por exemplo, a Ucrânia, concorrente direta das usinas mineiras que, embora esteja debilitada devido à guerra com a Rússia, segue com vendas para os EUA.

Ao se livrar das medidas, o ferro-gusa produzido no Brasil continua em uma disputa igualitária com o ucraniano para entrar no mercado norte-americano. Neste momento, nenhum dos dois sofre com sobretaxas. Antes, ambos eram tarifados em 10% no âmbito de uma tarifa global aplicada pelos EUA, que expirou nessa quinta-feira (23).

Arte ferro-gusa tarifaço

“O ferro-gusa tem uma grande importância para Minas Gerais, tanto na geração de empregos diretos e indiretos quanto na entrada de divisas. No ano passado, o setor trouxe para Minas cerca de US$ 1,2 bilhão em divisas. Além disso, gera quase 50 mil empregos indiretos e 10,5 mil empregos diretos. Seria muito ruim caso perdêssemos esse mercado”, ressalta o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela.

Para os EUA também seria negativo perder o mercado brasileiro. Conforme ele, a produção interna de ferro-gusa cobre entre 6% e 7% da demanda local e, nos últimos anos, o Brasil respondeu, em média, por 60% das importações, volume que não é facilmente substituído. Assim, tarifar o produto poderia comprometer a própria economia norte-americana, um dos argumentos apresentados pelo setor durante audiências públicas sobre as sobretaxas.

Usinas esperam retomar logo negociações com clientes norte-americanos

Com o risco de incidência das novas tarifas sobre o ferro-gusa afastado, Varela afirma que as usinas mineiras esperam retomar rapidamente as negociações com clientes norte-americanos. As entregas já programadas foram mantidas, mas as tratativas ficaram paralisadas desde o início de junho, quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs as sobretaxas.

Segundo ele, o setor vai trabalhar para que esse hiato nos negócios não se traduza em uma lacuna nas vendas ao fim de 2026. A expectativa inicial é de recuo nas exportações, porém a estratégia é intensificar os esforços para recuperar o tempo perdido e registrar crescimento. O sindicato ainda não tem projeções para o restante do ano, mas acredita que, nos próximos dois ou três meses, será possível avaliar com mais precisão o cenário.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações de ferro-gusa em Minas Gerais totalizaram 1,2 milhão de toneladas (t), com queda de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025. Os envios para os EUA recuaram 10,9%, para 998,5 mil t. Já a produção das usinas mineiras alcançou 1,7 milhão de t, o que representa retração de 7,1%.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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