Nova tarifa dos EUA preocupa indústria e comércio; entidades pedem diálogo imediato

Fiemg e Amcham alertam para perda de competitividade das exportações e cobram ação diplomática do governo brasileiro para ampliar exceções às novas sobretaxas dos Estados Unidos
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Nova tarifa dos EUA preocupa indústria e comércio; entidades pedem diálogo imediato
A alta taxa de juros e às incertezas com o “tarifaço” dos Estados Unidos, anunciado por Donald Trump, impactaram negativamente a confiança do industrial de Minas Gerais | Foto: Nathan Howard / Reuters

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (23), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma que aposta na intensificação imediata das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos como o principal caminho para reduzir ou modular a nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano.

A entidade também cobra uma atuação “firme, técnica e coordenada do governo brasileiro para buscar a ampliação das exceções e a garantia de regras claras para as empresas, de modo a evitar o agravamento das barreiras impostas ao comércio entre os dois países.

Segundo a coordenadora de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, o Brasil precisa agir com firmeza, rapidez e capacidade técnica para evitar que a nova tarifa comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional.

“A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos”, afirma.

Ainda segundo a Federação, quando somada à tarifa adicional de 25%, já em vigor, a nova cobrança pode elevar a sobretaxa a 37,5% para os produtos alcançados pelas duas medidas. “Esse cenário aumenta o custo de acesso ao mercado norte-americano e coloca os exportadores brasileiros em desvantagem diante de concorrentes de países submetidos a alíquotas menores”, informa a Fiemg

Amcham alerta para impacto em 3 mil produtos brasileiros

Para a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas sobre determinadas importações originárias de 60 economias, incluindo a alíquota de 12,5% para o Brasil, como resultado da investigação acerca de bens produzidos com trabalho forçado, agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano.

A medida, segundo a instituição, alcançará cerca de três mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos. “Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais”, reforça a entidade.

De acordo com o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. “A reversão desse cenário passa, necessariamente, pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”, destaca.

Por fim, a Amcham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros.

Assim como a Fiemg, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil reforça o pedido de continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos como solução para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva.

Entenda a nova tarifa

Os Estados Unidos decidiram aplicar uma nova tarifa ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A sobretaxa de 12,5% foi anunciada nesta quinta-feira (23), e deve se somar aos 25% já impostos na semana passada, em outra investigação envolvendo produtos brasileiros.

O Brasil integra um grupo de 59 economias atingidas pela medida, cujas tarifas variam entre 10% e 12,5%. De acordo com um cálculo realizado pela iniciativa GTA (Global Trade Alert), somando as duas tarifas, o Brasil segue como o segundo País que mais sofre com tarifaço do governo Trump, apenas atrás da China.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa e assessoria de imprensa. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-de-andrade-1b845526

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