Crédito do governo alivia tarifaço, mas cenário ainda exige cautela, diz Fiemg

Federação considera positivo o pacote de R$ 18,5 bilhões, mas avalia que ainda é cedo para medir se os recursos serão suficientes diante dos impactos sobre a indústria exportadora
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Crédito do governo alivia tarifaço, mas cenário ainda exige cautela, diz Fiemg
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O auxílio emergencial de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito anunciadas pelo Governo Federal nesta quarta-feira (22) pode, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), contribuir para mitigar os impactos enfrentados pelas empresas afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A Federação ressalta, porém, que neste momento ainda não é possível avaliar se o volume anunciado e as condições de acesso aos recursos serão suficientes diante da dimensão dos impactos e da demanda das empresas elegíveis. “A tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros abrangidos pela medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22), e será necessário acompanhar a reação de cada setor às novas condições comerciais”, informa a Fiemg em comunicado.

Ainda segundo a instituição representativa das indústrias mineiras, será preciso analisar a capacidade das empresas de diversificar seus mercados de destino, assim como a possibilidade de absorção, pelo mercado interno ou por outros países, das mercadorias anteriormente exportadas para os Estados Unidos.

Diplomacia e negociação devem ser prioridades neste momento

“A Fiemg segue acompanhando as medidas adotadas pelo governo norte-americano e defende que o governo brasileiro mantenha o caminho da diplomacia e da negociação, buscando um acordo entre Brasil e Estados Unidos que possibilite a redução ou a modulação das tarifas, além da ampliação da lista de exceções”, destaca a federação.

A entidade afirma ainda acompanhar atentamente os próximos passos da política comercial norte-americana, diante da expectativa de conclusão, até o fim desta semana, da investigação relacionada à proibição de importações de produtos fabricados com trabalho forçado. A medida proposta prevê uma nova tarifa adicional de 12,5% para o Brasil que, se confirmada, será cumulativa à tarifa adicional de 25% já em vigor, totalizando 37,5 pontos percentuais de sobretaxas sobre os produtos abrangidos pelas duas medidas.

“O momento exige diálogo, previsibilidade e a adoção de medidas capazes de preservar a competitividade, os investimentos, a produção e os empregos da indústria brasileira”, conclui a Fiemg.

Governo amplia apoio a setores estratégicos da economia brasileira

O subsídio de R$ 18,5 bilhões anunciado nesta quarta-feira (22) pelo governo federal faz parte de uma nova etapa do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos para a balança comercial, afetadas por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, por conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio mundial.

Do total previsto para o Plano Brasil Soberano 3, R$ 13,5 bilhões serão de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa e assessoria de imprensa. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-de-andrade-1b845526

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