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O Brasil e o tarifaço: necessidade de fortalecer a indústria brasileira

Defender a indústria brasileira neste momento é defender empregos, inovação e inclusão no País
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O Brasil e o tarifaço: necessidade de fortalecer a indústria brasileira
Foto: Dado Ruvic/Reuters

A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros representa mais do que uma barreira comercial: é uma tentativa de enfraquecer a capacidade produtiva nacional. Ao dificultar a competitividade da indústria brasileira, reforça uma lógica que nos empurra de volta ao papel de exportadores de matérias-primas e importadores de bens de maior valor agregado.
O impacto atinge diretamente setores estratégicos, como máquinas e equipamentos e máquinas agrícolas. Isso desmonta a narrativa de que o agronegócio brasileiro é apenas um setor primário. Hoje, ele é uma potência agroindustrial, sustentada por biotecnologia, bioinsumos, automação e inovação. Taxar esses produtos significa atacar empregos qualificados, pesquisa e desenvolvimento.

A resposta do Brasil não deve ser apenas diplomática. É indispensável fortalecer a política industrial, ampliar o crédito produtivo, reduzir entraves burocráticos e criar um ambiente econômico favorável ao investimento. Juros elevados desestimulam a produção justamente quando a competitividade precisa ser ampliada. O programa Nova Indústria Brasil representa um avanço, mas deve ser acompanhado por medidas que incentivem a inovação e a expansão das empresas.

O tarifaço também evidencia a necessidade de diversificar mercados. Concentrar exportações em um único parceiro comercial cria vulnerabilidades. O fortalecimento das relações com países da Ásia, da África, do Oriente Médio, da América Latina e do Sul Global amplia oportunidades e reduz riscos. A diplomacia comercial brasileira precisa abrir novas portas para a produção nacional.
Fortalecer a indústria significa fortalecer a inclusão social. É nesse setor que tradicionalmente se concentram empregos de maior remuneração, qualificação e estabilidade. Quando a economia desacelera, os primeiros atingidos costumam ser justamente os grupos mais vulneráveis.

A inclusão depende de uma economia dinâmica. Programas de qualificação profissional e políticas de inclusão só alcançam todo o seu potencial quando existem empresas investindo, produzindo e contratando. Não há justiça social sustentável sem desenvolvimento econômico.

O Brasil reúne ativos que poucos países possuem: recursos naturais, mercado consumidor expressivo, capacidade industrial, agroindústria inovadora e tradição diplomática. O desafio está em coordenar essas forças por meio de uma estratégia nacional de desenvolvimento, capaz de estimular investimentos, ampliar mercados e fortalecer a competitividade.

Defender a indústria brasileira diante do tarifaço significa defender empregos, inovação e inclusão. Mais do que reagir a uma medida protecionista, o País precisa aproveitar este momento para consolidar uma política de desenvolvimento voltada à agregação de valor, à diversificação comercial e ao fortalecimento da produção nacional. O futuro do Brasil será definido menos pelas barreiras erguidas no exterior e mais pela capacidade de investir em seu próprio potencial.

André Naves
Sobre o autor

André Naves

Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social 

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