Economia

Mais da metade das usinas de ferro-gusa podem paralisar com o novo tarifaço dos EUA, conforme o Sindifer-MG

A aplicação de novas tarifas ao ferro-gusa brasileiro afetaria, principalmente, Minas Gerais, com maior impacto sobre Sete Lagoas
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Mais da metade das usinas de ferro-gusa podem paralisar com o novo tarifaço dos EUA, conforme o Sindifer-MG
Cerca de 80% da produção das usinas independentes é exportada | Foto: Divulgação SDS Siderúrgica

Caso os Estados Unidos (EUA) implementem novas tarifas de importação sobre o Brasil, que podem chegar a 37,5%, como propuseram no início deste mês, mais da metade das usinas brasileiras de ferro-gusa podem paralisar atividades temporariamente ou até mesmo definitivamente, a depender da repercussão nos negócios. A estimativa é do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG).

Em 1º de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de uma taxa de 25% a vários produtos brasileiros, depois de concluir uma investigação que acusa o País de certos atos, políticas e práticas irrazoáveis e que oneram ou restringem o comércio norte-americano.

No dia 2, após finalizar investigações que acusam 60 países de não possuírem ou aplicarem efetivamente proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado, o órgão sugeriu tarifas adicionais de 10% para seis países e de 12,5% para 54, incluindo o Brasil.

O tarifaço está previsto para ser discutido em audiências públicas no início de julho, nos EUA, propostas pelo USTR. Estão programados encontros nos dias 6 e 7 para debater sobre a tarifa exclusiva do País e, entre os dias 7 e 9, sobre as taxas para as 60 economias.

O presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, alerta que, se entrarem em vigor, as tarifas vão causar um grande problema para a indústria de ferro-gusa. Isso porque o setor exporta a maior parte do que produz e os Estados Unidos são, disparados, os maiores clientes.

De acordo com ele, o impacto atinge principalmente Minas Gerais. Com 48 usinas independentes e 63 fornos, o Estado detém cerca de 70% da produção nacional e destina aproximadamente 80% desse volume para o mercado norte-americano.

Polo do setor, Sete Lagoas seria a maior afetada

Varela chama atenção para os efeitos do tarifaço em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais. Com 21 usinas em funcionamento, o município é o maior polo produtor de ferro-gusa no Estado, exporta majoritariamente aos EUA e seria o principal afetado.

“Estamos muito preocupados. Se houver redução de produção, teremos diminuição de postos de trabalho e queda na arrecadação do município. Nosso setor é bastante representativo para a economia local”, afirma.

“As nossas indústrias são importantes para todas as cidades onde estão instaladas no que tange ao fortalecimento econômico e à geração de empregos simples e especializados. Se essa situação não for revertida, vai trazer impacto”, salienta.

Sindicato participará de audiências nos EUA

Para atuar na defesa da indústria de ferro-gusa, o Sindifer-MG contratou um escritório de advocacia especializado para assessorá-los e participará das audiências públicas nos Estados Unidos. Segundo o presidente, o sindicato buscará isenção total para o produto, visto que usinas serão afetadas mesmo se somente a tarifa adicional de 12,5% for implementada.

Em paralelo, conforme com ele, para mitigar o impacto caso o tarifaço seja efetivado, o Sindifer-MG mantém diálogo com autoridades para outras ações que apoiem as empresas financeiramente, como a liberação de créditos retidos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Também conversa com o Itamaraty para negociar com os EUA um período maior para a entrada em vigor das taxas se forem aplicadas.

Cabe lembrar que, desde abril de 2025, o ferro-gusa brasileiro já estava taxado em 10% para entrar nos Estados Unidos no âmbito das tarifas recíprocas aos parceiros comerciais que o governo norte-americano impôs. No entanto, o setor não foi afetado, porque a taxa também vigora para concorrentes. Essa tarifa, segundo Varela, está prevista para expirar em julho.

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