Economia

Após fortes chuvas, empresários do comércio sinalizam encerrar atividades em Juiz de Fora

Insegurança faz com que empresários cogitem a transferência das atividades para outras localidades
Após fortes chuvas, empresários do comércio sinalizam encerrar atividades em Juiz de Fora
Chuvas da última semana causaram prejuízos na atividade econômica da Zona da Mata | Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

O cenário de devastação deixado pelas recentes chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata, acendeu um alerta vermelho no setor produtivo local. No primeiro dia útil após as fortes chuvas, o comércio contabiliza prejuízos e a insegurança é cada vez maior quanto ao futuro.

Diante das incertezas, parte dos empresários da região já estuda o encerramento definitivo das atividades ou a transferência de operações para outras localidades, conforme detalha o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (ACEJF), Aloisio Vasconcelos.

As informações preliminares constam que setores de diferentes segmentos foram afetados pelas chuvas, especialmente comércios próximos às áreas de risco. “A motivação desceu junto com a enxurrada. Muitos comércios foram alagados duas vezes, tiveram prejuízo, perderam a segurança de permanecer no mesmo endereço e agora buscam outro local para recomeçar”, detalha o dirigente.

A associação agora busca reunir aqueles afetados para entender a dimensão dos danos e procurar ajuda junto às esferas públicas. A ideia é entender o que o Estado e o município conseguem oferecer, como linhas de crédito, renegociação de débitos, apoio emergencial e até medidas tributárias, como isenção ou postergação de impostos e taxas, para amenizar as perdas e viabilizar a retomada.

Em reunião realizada na segunda-feira (2), dirigentes do Sindicato Empresarial do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomercio JF), receberam o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Marcos Carvalho, e o superintendente da Caixa, Fabrício Bessa, para tratar da criação de uma linha de crédito especial emergencial, com taxa de juros reduzida, voltada às empresas.

Ao longo desta semana, a instituição bancária afirmou que repassará ao sindicato todas as informações detalhadas sobre a linha emergencial, para que as alternativas sejam divulgadas aos empresários representados pela entidade.

Fiemg articula força-tarefa técnica do Senai para reduzir o tempo de paralisação das indústrias

Em resposta aos impactos provocados, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, mobilizou, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), uma força-tarefa técnica com profissionais para auxiliar na manutenção industrial, mecânica, suporte técnico e avaliação de equipamentos.

A iniciativa, segundo a entidade, tem caráter emergencial e busca reduzir o tempo de paralisação das indústrias afetadas, preservar empregos e evitar perdas econômicas prolongadas. A expectativa é que a ação mobilize mais de 40 profissionais para atender entre 25 a 40 indústrias, com faturamento médio entre R$ 800 mil a R$ 2,5 milhões mensais.

Segundo estudo da Fiemg, se a atuação do Senai reduzir em 50% o tempo médio de paralisação, estima-se a preservação de aproximadamente R$ 20 milhões a R$ 30 milhões em faturamento regional, além de proteger 1.800 empregos diretos.

“A ação se mostra estratégica não apenas como medida emergencial, mas como instrumento de estabilização econômica regional em momento de vulnerabilidade produtiva”, comenta a presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Mariângela Marcon.

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