BH melhora desempenho, mas perde quatro posições em ranking de atratividade turística
Belo Horizonte caiu da terceira para a sétima posição no Índice de Favorabilidade para o Turismo (IFT-GKS), levantamento que apresenta as capitais com as melhores condições para receber investimentos em turismo no Brasil. Na primeira edição do IFT-GKS, realizada no fim de 2024, BH obteve 54,2 pontos entre os 100 possíveis e ficou atrás apenas do Rio de Janeiro (59,9) e de São Paulo (78,6) no ranking.
Já na atualização do estudo, feito no fim do ano passado, o índice de BH ganhou 10,6 pontos, somando 64,8 pontos, mas caiu quatro posições no ranking, pulando da terceira para a sétima colocação.
Índice de Favorabilidade para o Turismo – 2024
- 1º lugar: São Paulo (78,6)
- 2º lugar: Rio de Janeiro (59,9)
- 3º lugar: Belo Horizonte (54,2)
- 4º lugar: Porto Alegre (50,7)
- 5º lugar: Brasília (49)
- 6º lugar: Florianópolis (49)
- 7º lugar: Curitiba (48,5)
- 8º lugar: Vitória (44,3)
- 9º lugar: Goiânia (42,8)
- 10º lugar: São Luís (39,6)
Índice de Favorabilidade para o Turismo – 2025
- 1º lugar: Florianópolis (73)
- 2º lugar: Vitória (72,2)
- 3º lugar: Curitiba (71,1)
- 4º lugar: São Paulo (69,4)
- 5º lugar: Brasília (69,4)
- 6º lugar: Porto Alegre (66)
- 7º lugar: Belo Horizonte (64,8)
- 8º lugar: Goiânia (64,4)
- 9º lugar: Rio de Janeiro (64)
- 10º lugar: Cuiabá (62,4)
Por que BH ganhou pontos, mas caiu posições?

De acordo com o Conselho Técnico do IFT-GKS, o levantamento passou por readequações, incluindo o acréscimo de critérios de avaliação sobre sustentabilidade, o que resultou no reajuste da pontuação de praticamente todas as cidades, com exceção de Brasília. É o que explica a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Mariana Aldrigui, integrante do Conselho Técnico do IFT-GKS.
“Os critérios de sustentabilidade passaram a ser absolutamente relevantes em análises de oportunidades, sobretudo em investimentos privados. Então, a inclusão desses critérios fez uma revolução na análise das cidades, tanto que as duas cidades que melhor se posicionaram são ilhas (Florianópolis e Vitória) e ilhas conseguem ter o maior controle do território quando se trata de uma política de investimento em preservação, plantio de árvores e área verde por habitante”, explica.
CEO da GKS e professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cássio Garkalns afirma que, embora tenha havido queda no ranking para BH, o foco do índice é “evidenciar oportunidades de melhoria”.
“O IFT-GKS não tem como objetivo apontar problemas. Mais do que comparar indicadores de um ano para o outro, a proposta é mostrar a evolução do conceito e como essa transformação sinaliza caminhos estratégicos e grandes oportunidades para o gestor público”, diz Garkalns.
O que precisa melhorar em todo o País
Em comum, quando o assunto é turismo, as cidades brasileiras precisam atualizar o conceito de “interesse turístico” para alcançar melhores condições para negócios e investimentos. É o que defende Mariana Aldrigui.
“É preciso oferecer informações importantes para potenciais investidores que estejam comprometidos com a melhoria dos destinos em todos os seus aspectos, e não somente na identificação de uma paisagem paradisíaca. É fundamental que os gestores públicos consigam advogar por melhoria na qualidade de vida da população local”, declara a especialista.
Pesquisa considerou 11 variáveis em quatro dimensões
O Índice de Favorabilidade para o Turismo (IFT-GKS) foi desenvolvido com base em 11 variáveis agrupadas em quatro dimensões:
- Social: violência, acesso à saúde, acesso a esgoto e nível educacional da população;
- Econômica: relação de beneficiários do Bolsa Família com estoque de empregos, renda média e densidade de acesso à banda larga;
- Sustentabilidade: dados sobre a vulnerabilidade climática de cada capital e o volume relativo de parques e praças em áreas urbanas;
- Infraestrutura de turismo: disponibilidade de leitos em meios de hospedagem e tarifa média para chegar ao destino.
“Para cada uma das variáveis, foi criado um ranking com pontuação de um a dez pontos possíveis, sendo que a capital com o melhor índice recebe dez pontos e as demais são ranqueadas relativamente ao líder do ranking“, informa a GKS, em nota. Além disso, a dimensão turismo recebeu peso 75% maior que as demais.
O estudo é assinado tecnicamente pelo CEO da GKS e professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cássio Garkalns; pelo líder de inteligência de dados da GKS, Luciano Krob Meneghetti; pela pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Mariana Aldrigui; e pelo economista e presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio de São Paulo, Guilherme Dietze.
“O IFT-GKS apresenta um tratamento estatístico rigoroso, com variáveis criteriosamente selecionadas, a fim de oferecer uma análise abrangente e precisa das condições de investimento no setor de turismo”, afirma Dietze. Segundo ele, o índice pode servir como um instrumento de orientação para gestores públicos, “permitindo a identificação ágil de problemas e a implementação de medidas corretivas de forma eficiente”.
Boa colocação em rankings ajuda a captar recursos

O Consultor Estratégico Hoteleiro da MVS Consultoria, Maarten van Sluys, considerou que é de grande importância para o turismo de uma cidade que ela esteja entre as dez colocadas em rankings que avaliam as capitais brasileiras. Segundo ele, esse fator ajuda na captação de recursos, na atratividade laboral do destino e na geração de demanda.
“É muito importante para o turismo estar bem posicionado nas avaliações feitas por institutos que têm credibilidade, que é o caso desse ranking. Outro benefício disso é que o ranking se torna uma grande ferramenta para divulgação, inclusive nas feiras, seminários e congressos de turismo, gerando curiosidade e interesse nos intermediários, incluindo agentes de viagem, companhias aéreas, etc”, declara Maarten.
Belotur: BH passou de 54,2 para 64,8, “um aumento significativo”
A Prefeitura de BH, por meio da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), lembrou, em nota, que o índice da Capital apresentou melhora e passou de 54,2 para 64,8, representando “um aumento significativo, resultado dos investimentos conjuntos da iniciativa pública e privada e do trabalho desenvolvido sob a perspectiva de destino turístico inteligente”.
“Entre os indicadores, criatividade, promoção e sustentabilidade registraram os melhores desempenhos, evidenciando o fortalecimento da economia criativa como vetor de movimentação econômica e atração de investimentos na capital”, completa a nota.
Em relação ao posicionamento no ranking, a Belotur observou que “outras cidades, que anteriormente apresentavam desempenho inferior, avançaram em seus processos e estratégias, o que impacta a colocação relativa de Belo Horizonte”.
Ainda em nota, a Belotur informou que BH foi reconhecida no Prêmio Nacional do Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo; em premiações internacionais do setor; no Prêmio Turismo Responsável, concedido pela Embratur; e obteve melhoria em indicadores, incluindo emprego, movimentação aeroportuária e ocupação hoteleira.
Nota da Belotur na íntegra
A Belotur informa que o índice de Belo Horizonte apresentou melhora em relação a 2024, passando de 54,2 para 64,8, um aumento significativo, resultado dos investimentos conjuntos da iniciativa pública e privada e do trabalho desenvolvido sob a perspectiva de destino turístico inteligente. Entre os indicadores, criatividade, promoção e sustentabilidade registraram os melhores desempenhos, evidenciando o fortalecimento da economia criativa como vetor de movimentação econômica e atração de investimentos na capital.
Em relação ao posicionamento no ranking, observa-se que outras cidades, que anteriormente apresentavam desempenho inferior, avançaram em seus processos e estratégias, o que impacta a colocação relativa de Belo Horizonte. Os investimentos em eventos e ações estratégicas foram ampliados de um ano para o outro.
Belo Horizonte foi reconhecida nacionalmente no Prêmio Nacional do Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo, na categoria Promoção e Marketing, com o projeto Menuuh de Experiências. Iniciativas como Menuuh, Bares com Alma, Panelas Abertas e Acelera Check-in também receberam premiações internacionais.
A cidade ainda foi reconhecida com o Prêmio Turismo Responsável, concedido pela Embratur, pelo documentário Turismo Transforma, além de ter sido destacada em Portugal com o título de Capital Ibero-americana da Gastronomia.
Os principais indicadores monitorados também evoluíram. O setor turístico acompanhou o cenário positivo do mercado de trabalho, com saldo superior a 1,3 mil empregos até novembro de 2025, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, registrando o terceiro ano consecutivo de crescimento.
Na movimentação aeroportuária, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte consolidou-se como o terceiro maior aeroporto internacional do país e o segundo em destinos domésticos, com 62 rotas (seis internacionais). Em 2025, o terminal figurou entre os dez aeroportos mais pontuais do mundo em ranking da Cirium.
A taxa média de ocupação hoteleira também apresentou crescimento, passando de 63,10% (jan-nov/2024) para 63,20% no mesmo período de 2025.
Entre as principais ações, destacam-se:
- A operacionalização do Carnaval de Belo Horizonte — considerado o maior da história da cidade — com cerca de 6 milhões de foliões, movimentação superior a R$ 1 bilhão na economia local, aproximadamente 90% de ocupação hoteleira, 93% de recomendação do público e redução de 82% nas ocorrências registradas pela Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte;
- A realização do Arraial de Belô com recorde de captação de recursos, somando mais de R$ 2 milhões em patrocínios e convênios;
- O lançamento da nova marca turística da cidade, “Te Encontro em BH”, como estratégia de posicionamento e promoção do destino;
- A realização da 2ª edição da Bienal da Gastronomia de Belo Horizonte, de forma descentralizada e diversa, com legado estruturante e alinhamento às diretrizes da Unesco;
- A comemoração do aniversário da cidade com programação cultural na Praça da Estação e a retomada da navegação turística na Lagoa da Pampulha, com a operação do barco turístico.
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