Brasil Soberano: empresas mineiras recebem aval para R$ 3,12 bilhões em crédito do BNDES

Minas Gerais ocupa a quinta posição nacional em volume de crédito aprovado; recursos buscam reduzir os impactos das tensões comerciais e geopolíticas sobre as empresas
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Brasil Soberano: empresas mineiras recebem aval para R$ 3,12 bilhões em crédito do BNDES
Foto: Reprodução/Adobe Stock

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou R$ 3,12 bilhões em crédito do Plano Brasil Soberano para empresas de Minas Gerais desde o lançamento do programa, em setembro de 2025. A iniciativa tem como objetivo minimizar os impactos das tensões geopolíticas e comerciais internacionais sobre o setor produtivo nacional.

O montante aprovado para Minas Gerais corresponde a 8,46% do total autorizado para o País até o momento, de R$ 36,91 bilhões. O ranking é liderado por São Paulo, com R$ 11,66 bilhões, único estado a superar a marca de R$ 10 bilhões. Na sequência, aparecem Paraná (R$ 5,15 bilhões), Santa Catarina (R$ 4,78 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 4,4 bilhões) e Minas Gerais (R$ 3,12 bilhões).

Em entrevista ao Diário do Comércio, o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon, destaca que o montante aprovado para Minas Gerais é o segundo maior da região Sudeste e o quinto maior do País.

EstadoCrédito aprovado
São PauloR$ 11,67 bilhões
ParanáR$ 5,16 bilhões
Santa CatarinaR$ 4,78 bilhões
Rio Grande do SulR$ 4,41 bilhões
Minas GeraisR$ 3,12 bilhões
GoiásR$ 1,47 bilhão
Espírito SantoR$ 1,13 bilhão
BahiaR$ 966,6 milhões
CearáR$ 876,9 milhões
Rio de JaneiroR$ 572,5 milhões

Gordon explica que o BNDES busca atender tanto à demanda das grandes companhias quanto à das pequenas e médias empresas (PMEs). No caso desse segundo grupo, o acesso ao crédito ocorre principalmente por meio de bancos parceiros da instituição.

“O banco tem trabalhado fortemente para levar, tanto direta quanto indiretamente, os recursos para as grandes, pequenas, médias e microempresas”, afirma.

Segundo ele, cerca de 45% dos recursos do Brasil Soberano estão sendo destinados às PMEs, enquanto o restante é direcionado às grandes empresas. O diretor considera essa distribuição “razoável” e avalia que o crédito está chegando a quem realmente precisa.

Em relação à demanda, Gordon destaca a procura de empresas do setor de mineração pelos recursos. Segundo ele, também há grande interesse em crédito para capital de giro, exportações e diversificação de mercados.

“As empresas estão buscando recursos para encontrar novos mercados e também capital de giro. Tivemos algumas demandas estratégicas para investimentos no setor de saúde, fertilizantes e de produção de plástico”, diz.

Gordon também ressalta a importância do programa para empresas de diferentes setores da economia. Entre os segmentos que mais demandaram recursos, estão as indústrias química, alimentícia, de máquinas e equipamentos e madeireira. “Em Minas há muitas empresas do setor de máquinas e equipamentos, materiais elétricos que também pegaram esses recursos e ainda temos uma dispersão por vários outros setores”, acrescenta.

O diretor destaca que o objetivo é permitir que essas empresas continuem gerando empregos, investindo e mantendo suas atividades. Ele também ressalta a importância do empreendedorismo para o crescimento da economia brasileira, o aumento da produtividade e a geração de empregos de qualidade.

“Existe uma preocupação muito grande do governo federal em dar apoio às empresas que estão sendo afetadas seja pelo tarifaço ou pela Guerra no Golfo Pérsico, além de setores estratégicos para a economia brasileira”, afirma.

Sobre o Brasil Soberano

Sede do BNDES.
Foto: Divulgação BNDES

Desde o lançamento do Plano Brasil Soberano, foram anunciadas três etapas, com objetivos distintos. A primeira buscou apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas unilateralmente pelo governo dos Estados Unidos. A segunda, lançada em março deste ano, teve como foco as companhias impactadas pela guerra no Oriente Médio, além daquelas que ainda enfrentavam dificuldades decorrentes das medidas tarifárias norte-americanas.

A terceira etapa, denominada Brasil Soberano III e lançada em julho, teve como objetivo ampliar o número de setores elegíveis ao crédito, com orçamento previsto de R$ 22,6 bilhões. Segundo Gordon, essa fase é voltada às empresas impactadas pelo novo tarifaço, implementado pelo governo norte-americano, além de companhias dos setores de agronegócio e mineração, por exemplo.

Gordon afirma que o governo federal mantém diálogo com os Estados Unidos para tentar solucionar os impasses tarifários. A expectativa, segundo ele, é que a questão seja resolvida o mais rápido possível, evitando a necessidade de novas etapas do programa de apoio ao setor produtivo.

No entanto, o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES ressalta que, caso o mercado internacional continue marcado por tensões geopolíticas e barreiras comerciais, o governo federal poderá avaliar a necessidade de uma nova etapa do plano. Ele lembra que a fase mais recente disponibilizou R$ 4 bilhões para o setor de fertilizantes, um dos mais afetados pela guerra no Golfo Pérsico e estratégico para o agronegócio e a economia brasileira.

“Nós estamos de olho, analisando e observando o que vai acontecer para tomar decisões. Nesse momento, nós estamos trabalhando para concluir o Brasil Soberano III e para continuar o diálogo”, afirma.

As empresas interessadas em obter recursos da terceira etapa do programa devem apresentar suas propostas de crédito ao BNDES até o início de novembro. O prazo está relacionado à tramitação da Medida Provisória (MP) 1.379/2026, que instituiu a nova fase e precisa ser analisada pelo Congresso Nacional até 18 de novembro.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.


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