Banco Central aponta R$ 5,8 bilhões em dinheiro esquecido; veja como consultar

Montante disponível para resgate cresceu nos últimos meses e chegou a R$ 5,8 bilhões em agosto; veja como consultar e recuperar o dinheiro esquecido
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Banco Central aponta R$ 5,8 bilhões em dinheiro esquecido; veja como consultar
Foto: Reuters/Adriano Machado

Brasileiros e empresas têm R$ 5,8 bilhões disponíveis para resgate em bancos e outras instituições financeiras, segundo dados do Banco Central (BC) referentes a agosto de 2026. Desse total, R$ 4,31 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 1,48 bilhão está vinculado a pessoas jurídicas. Ao todo, são 26,3 milhões de beneficiários com valores a receber, que podem ser resgatados sem prazo limite.

Os valores podem ter diferentes origens, como saldos remanescentes de contas bancárias encerradas, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito. A consulta é gratuita e pode ser realizada pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), disponibilizado pelo Banco Central.

Do total de beneficiários, 23,9 milhões são pessoas físicas, que têm R$ 4,31 bilhões disponíveis para resgate. As pessoas jurídicas somam 2,36 milhões, com R$ 1,48 bilhão a receber.

Dinheiro esquecido em bancos cresce em agosto

O montante disponível para resgate cresceu nos últimos meses. Em junho de 2026, o saldo era de R$ 5,12 bilhões. Em julho, subiu para R$ 5,65 bilhões e chegou a R$ 5,8 bilhões em agosto.

Além dos recursos ainda disponíveis, R$ 16,47 bilhões já foram devolvidos a pessoas físicas e jurídicas por meio do sistema do Banco Central. Desse montante, R$ 12,15 bilhões foram destinados a 39,5 milhões de beneficiários pessoas físicas, enquanto R$ 4,32 bilhões foram devolvidos a 4,85 milhões de beneficiários pessoas jurídicas.

Somados os valores já devolvidos e os recursos ainda disponíveis para resgate, o montante identificado pelo Banco Central chega a aproximadamente R$ 22,3 bilhões.

Os bancos concentram a maior parcela dos recursos ainda disponíveis para resgate, seguidos pelas administradoras de consórcios e cooperativas de crédito. Parte dos valores também foi destinada ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para viabilizar garantias em programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola.

Como consultar os valores

A consulta é gratuita e deve ser realizada pelo Sistema de Valores a Receber, disponível no site oficial do Banco Central. Na primeira etapa, pessoas físicas devem informar o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a data de nascimento. Para empresas, é necessário informar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

Caso haja valores disponíveis, o beneficiário deverá acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para consultar o montante e identificar a instituição financeira responsável pela devolução.

Quando a opção “Solicitar por aqui” estiver disponível, o beneficiário poderá pedir a devolução do dinheiro por Pix. Caso contrário, deverá entrar em contato diretamente com a instituição financeira responsável para solicitar o resgate.

Desde maio de 2025, pessoas físicas também podem habilitar a devolução automática de valores. Para utilizar a funcionalidade, é necessário ter uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada, além de uma chave Pix vinculada ao CPF. Com o serviço habilitado, os recursos elegíveis podem ser depositados automaticamente, sem a necessidade de apresentar uma nova solicitação a cada valor identificado.

Banco Central alerta para golpes

O Banco Central alerta que não cobra taxas para liberar os recursos e não envia links nem entra em contato com os beneficiários para solicitar senhas ou dados pessoais. A orientação é utilizar exclusivamente os canais oficiais, evitar links recebidos por mensagens e não compartilhar códigos de autenticação.

O sistema também permite consultar valores deixados por pessoas falecidas. Nesses casos, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Banco Central.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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