Carnaval de BH: ocupação de hotéis já chega a 75% em janeiro e expectativa é de público recorde
A expectativa para o Carnaval de Belo Horizonte em 2026 já pressiona a rede hoteleira da Capital, que registra ocupação média estimada entre 70% e 75% ainda na primeira semana de janeiro. Segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG), alguns hotéis próximos aos principais circuitos de BH já estão com reservas perto da capacidade máxima.
Segundo a presidente da ABIH-MG, Flávia Badaró, o cenário indica um movimento antecipado em relação a anos anteriores e acompanha a projeção de crescimento do público para a festa. “O monitoramento junto aos meios de hospedagem mostra que Belo Horizonte já tem ocupação elevada para o período oficial do Carnaval”, pontua a dirigente.
De acordo com ela, ainda há disponibilidade principalmente em hotéis fora do hipercentro e em regiões com melhor acesso viário, o que reforça a importância da mobilidade urbana para distribuir o fluxo de visitantes. Segundo dados do Observatório do Turismo de Minas Gerais, em 2025, a taxa média de ocupação em BH durante o Carnaval superou 87%, com pico de 90,2% no domingo, e a expectativa para 2026 é de novo avanço, com possibilidade de índices próximos de 100% em parte significativa da rede.
Esse desempenho da hotelaria ocorre em um contexto de expansão do Carnaval de Belo Horizonte. Para o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Minas Gerais (Abav-MG), Alexandre Brandão, a expectativa é de crescimento próximo a 10% no público em relação ao ano passado, com possibilidade de a festa reunir cerca de 6,5 milhões de pessoas. “A projeção é baseada nos números da Belotur e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo”, afirma.
Segurança é um diferencial
Ao explicar os fatores que sustentam essa demanda, Brandão aponta a percepção de segurança como um dos principais diferenciais da capital. “O Carnaval de Belo Horizonte é visto como muito mais seguro do que o de outras cidades”, diz. Segundo ele, os registros mais comuns envolvem furtos de carteira e telefone, sem a incidência de ocorrências mais graves. Dados do Observatório do Turismo corroboram essa avaliação, ao indicar que 85% dos foliões relataram sensação de segurança no Carnaval de 2025.
Outro aspecto destacado é o perfil diurno da festa. “O Carnaval de Belo Horizonte acontece de dia e termina mais cedo, por volta de 23h”, afirma Alexandre Brandão. Esse formato, segundo ele, permite que o visitante combine a programação dos blocos com eventos privados no período noturno, o que amplia as possibilidades de consumo turístico e contribui para a permanência na cidade.
A presidente da ABIH-MG observa que esse comportamento do público impacta diretamente o desempenho da hotelaria, inclusive fora das áreas centrais. “A proximidade com os blocos e a mobilidade urbana são determinantes para a ocupação”. Para ela, o diálogo com o poder público é crucial para ajustes no trânsito, reforço do transporte, comunicação sobre interdições e ações de limpeza urbana e segurança, questões muito importantes para a experiência do hóspede.
Trânsito de turistas
O fluxo de visitantes também apresenta mudanças no perfil de origem. Alexandre Brandão destaca o aumento da presença de turistas de estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás, além do interior de Minas Gerais. “Muita gente vem num raio de até 300 quilômetros e fica em casa de parentes”, ressalta, ao explicar que esse público não aparece nas estatísticas de hospedagem formal, mas impacta diretamente a ocupação das ruas.
Em 2025, cerca de 6 milhões de pessoas participaram do Carnaval de Belo Horizonte, segundo os dados do levantamento. Esse movimento se irradia para outras regiões do Estado. “Muita gente aproveita para conhecer o Inhotim ou cidades como Ouro Preto”, destaca Brandão.
Segundo a ABIH-MG, destinos tradicionais do Carnaval mineiro, como Ouro Preto e Tiradentes, já registram ocupações elevadas para o período, com casos de esgotamento de leitos nos dias de pico, o que reforça o papel do Carnaval como indutor do turismo estadual.
O posicionamento de Belo Horizonte entre os destinos mais procurados do País também impacta o mercado hoteleiro. Flávia Badaró afirmou que há aumento gradual no valor médio das diárias, dentro de patamares compatíveis com os serviços oferecidos, além de maior antecedência nas reservas. “Hoje, muitos turistas garantem hospedagem com semanas e até meses de antecedência, o que traz mais previsibilidade para o setor”, explica.
Pré-carnaval também se destaca
O aquecimento se estende ao pré-Carnaval. Segundo Flávia, os fins de semana que antecedem a festa oficial já apresentam ocupação entre 50% e 65%, dependendo da localização do hotel. O comportamento confirma a consolidação do pré-Carnaval de BH como produto turístico e amplia o tempo de permanência dos visitantes na Capital. Dados do Observatório indicam ainda que 82% dos foliões de 2025 pretendiam retornar a Belo Horizonte para o Carnaval de 2026, indicador que sustenta as projeções de alta demanda já observadas no início do ano.
Ouça a rádio de Minas