Cemig vai investir R$ 2,3 bi em projetos de inovação que apoiam a transição energética
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) investirá R$ 2,3 bilhões em projetos de inovação voltados à transição energética nos próximos três anos. O aporte abrange temas prioritários, como o desenvolvimento de projetos ligados ao hidrogênio verde.
A estatal já concluiu o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para avançar com os estudos, mapeando a linha do tempo da tecnologia do hidrogênio no curto, médio e longo prazo, bem como a inserção tecnológica no Estado. Inicialmente, a condução deve focar o desenvolvimento de projetos em parceria com indústrias dos setores agrícola e mineral.
As informações foram detalhadas pelo gestor de Inovação da Cemig, Thiago de Matos. Segundo ele, a companhia ampliará parcerias estratégicas para o desenvolvimento de plantas-piloto na produção de amônia, além de contribuir na descarbonização da siderurgia mineira, por meio da mistura controlada (blend) de hidrogênio com gás natural.
Diferente de outras regiões, onde o hidrogênio verde é pautado na exportação, o avanço em Minas Gerais deve ocorrer na indústria local, com impacto sobre os subprodutos de diferentes setores da economia mineira. “No curto prazo, o setor agrícola desponta como o principal potencial, sobretudo pela produção de amônia verde voltada à fabricação de fertilizantes nitrogenados”, destaca o gestor.
Nesse contexto, os projetos devem se concentrar em pesquisa e desenvolvimento (P&D), conduzidos em parceria com a indústria. “A Cemig tem buscado parceiros estratégicos para viabilizar essas iniciativas, com foco na economia circular, beneficiando fabricantes de fertilizantes e produtores rurais”, acrescenta.
Além dos esforços em descarbonização, a companhia também direciona esforços em prol da desfossilização, com iniciativas que ajudam setores que possuem dificuldades de realizar processos de eletrificação, como nos altos fornos da siderurgia. O gestor avalia que o uso de combustíveis limpos surge como alternativa mais viável do que a eletrificação direta.
“Avaliamos que é fundamental fomentar esse mercado e ampliar a produção de hidrogênio, especialmente para a siderurgia, que tem grande potencial na produção de aço de baixo carbono com o uso do hidrogênio como energia e agente redutor”, destaca de Matos.
Dentre as localidades, Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), são apontadas como as mais promissoras para protagonizarem o uso de hidrogênio verde em Minas Gerais. Segundo o gestor, as regiões concentram ampla disponibilidade de energia aliadas à presença de importantes indústrias: fator considerado fundamental para a viabilidade de projetos.
Na produção de Amônia, espaços como a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Uberaba ganham destaque ao viabilizar estudos próximos a um polo de empresas, como a Atlas Agro. Já na siderurgia, que possui plantas descentralizadas, os projetos estarão onde indústria estiver, com destaque para quadrilátero ferrífero, na região Central do Estado.
Redução no custo da energia promete alavancar competitividade da indústria para transição energética
O desafio, no entanto, passa pela competitividade dos subprodutos de indústria sustentável, que ainda enfrenta custos elevados a partir da produção. Como solução, o estudo conduzido pela empresa apontou que, com a redução do preço da energia renovável, que segue caindo nos últimos anos, é possível tornar os produtos mais competitivos.
Para de Matos, o cenário ideal é que o custo da energia seja reduzido ainda mais para viabilizar a competitividade da transição. “Temos que ter arranjos e projetos que acompanhem a redução de preço da energia renovável”, acrescenta.
Como estratégia para alavancar a transição energética, a Cemig destaca que possui um plano de investimento de R$ 59 bilhões nos próximos anos, onde o principal investimento é infraestrutura de rede. “O fortalecimento das conexões possibilita que os geradores tenham acesso a uma oferta de energia mais ampla, o que tende a contribuir para a redução dos preços no médio e longo prazos”, argumenta o gestor.
A expectativa é que, à medida que a transição energética avance por meio da eletrificação, haja maior disponibilidade de energia renovável, ampliação das conexões com clientes e consumidores e expansão do acesso da população à rede elétrica. Além do hidrogênio verde, os recursos de R$ 2,3 bilhões em inovação também devem fomentar projetos em geração sustentável distribuída, armazenamento de energia, Inteligência Artificial (IA), smartgrids e eletromobilidade.
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