Economia

Comércio de Minas Gerais está otimista em ter boas vendas com o movimento de volta às aulas

Empresários mineiros projetam boas vendas de material escolar, mas a cautela do consumidor e a concorrência municipal preocupam
Comércio de Minas Gerais está otimista em ter boas vendas com o movimento de volta às aulas
Foto: Alisson J. Silva / Arquivo / Diário do Comércio

Entre as despesas extras de todo mês de janeiro estão impostos e compras de material escolar. O retorno dos alunos às aulas, que se iniciam em fevereiro, já demanda dos pais uma busca por cadernos, livros e outros itens que colaboram para uma boa educação. Quem deve se beneficiar com o movimento no varejo são as empresas que comercializam estes produtos.

Pesquisa Expectativa de Volta às Aulas 2026, realizada pelo Núcleo de Pesquisa & Inteligência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), mostra que 30,2% das empresas mineiras que comercializam os itens da temporada consideram que as vendas estão melhores que as do ano passado nesta época. A estimativa é de que cada cliente gaste entre R$ 100 e R$ 300, de acordo com 49,6% dos entrevistados.

A expectativa dos empresários é que o aquecimento do comércio em geral gere um efeito positivo nas vendas. A chegada de novos produtos, que atraiam os clientes, incluindo os estudantes, consumidores finais das mercadorias escolares, que podem influenciar os pais na hora da compra, é um dos fatores para esse otimismo.

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Período “quente” de vendas e cautela

Além disso, 51,5% dos comerciantes apostam que a alta temporada das compras dos materiais escolares acontecerá na segunda quinzena de janeiro. Para 33,3%, o incremento das vendas será no início de fevereiro.

Todavia, há quem não esteja tão animado para obter volume alto nas vendas. Para 43% dos empresários que atendem demandas de material escolar, as vendas estão iguais às do mesmo período de 2025 e para 12,1% estão piores. Para esses, as justificativas para o desempenho abaixo do desejado são, nesta ordem: consumidor mais cauteloso, endividamento do consumidor, crise econômica e a distribuição de material escolar por parte do município.

Estratégias

O estímulo às compras foi planejado por 41% das empresas que realizaram ou realizarão propaganda e/ou divulgação. Um total de 30,8% dos empresários investiu em promoções/liquidações e 20,6% em atendimento diferenciado. A contratação de temporários para atender à demanda da volta às aulas foi realizada por 15,7% das empresas.

A economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, destaca que a volta às aulas tem impulsionado o comércio mineiro em janeiro entre as empresas que comercializam itens de material escolar. E que mesmo com a cautela do consumidor, estratégias comerciais e financeiras bem planejadas podem ser determinantes para ampliar o volume de vendas, seja por meio de promoções aplicadas a listas completas ou a produtos individuais.

“Esse movimento também representa uma oportunidade para revisar o estoque, considerando a curva A, B e C por meio da identificação de itens com a maior margem para descontos, liberando espaço e fortalecendo a percepção de poder de compra do cliente, o que favorece a venda de produtos de maior valor agregado. A combinação de atendimento e produtos diferenciados acrescido de ofertas variadas tende a aumentar a conversão de vendas nas lojas”, explica.

Venda a varejo de material escolar em lojas da 25 de Março, região central.
Venda de material escolar anima comerciantes mineiros-CRÉDITO: FREEPIK

Variedade também está na pauta

Conforme 40,3% dos empresários, os consumidores vão optar por itens variados; para 33,6% a opção será por lista de materiais completa, enquanto 13,9% apostam que as promoções por itens vão atrair mais os consumidores. As compras de material escolar são orientadas, às vezes, pela pesquisa de preço feita pelo cliente de acordo com 40,3%. Já o pagamento deverá ser feito no cartão de crédito parcelado, segundo 38,4% dos entrevistados e, em seguida, o Pix, conforme 30,1%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 12 de janeiro de 2026. Foram avaliadas 430 empresas, sendo pelo menos 39 em cada região de planejamento (Alto Paranaíba, Central, Centro-Oeste, Jequitinhonha-Mucuri, Zona da Mata, Noroeste, Norte, Rio Doce, Sul de Minas e Triângulo). A amostra avaliada perfaz uma margem de erro da ordem de 5%, com um intervalo de confiança de 95%.

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