Economia

Comércio em Minas Gerais avança 1,3% e registra o melhor resultado para novembro em 5 anos

4 das 8 atividades apresentaram alta nas vendas frente ao mesmo mês do ano anterior, com destaque para Artigos farmacêuticos e perfumaria (18,2%)
Comércio em Minas Gerais avança 1,3% e registra o melhor resultado para novembro em 5 anos
As vendas do segmento de artigos farmacêuticos e perfumaria registraram uma expansão de 18,2% em novembro | Foto: Jefferson Ruby / Agência Senado

Com forte impacto da Black Friday e de indicadores socioeconômicos, o volume de vendas no comércio varejista avançou 1,3% em novembro frente a outubro em Minas Gerais. O resultado é o melhor para o mês em cinco anos, além de ser o terceiro positivo consecutivo, indicando a manutenção do fôlego do consumo no fim do ano.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira, (15), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador também se posicionou como o melhor resultado do ano e acima da média registrada no País (1,0%).

No varejo, quatro das oito atividades apresentaram alta nas vendas frente ao mesmo mês do ano anterior, com destaque para o grupo de artigos farmacêuticos e perfumaria (18,2%), que registrou a principal influência positiva no indicador. Também se destacaram equipamentos para escritório, informática e comunicação (5,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,9%).

Já no comparativo entre novembro e outubro do mesmo ano, o maior destaque ficou para outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 4,9%. A categoria inclui segmentos, como lojas de departamento, tecidos, calçados e vestuário, sinalizando um bom desempenho nas vendas em mês de Black Friday, conforme destaca a analista de pesquisas por empresas do IBGE em Minas Gerais, Alessandra Coelho.

A especialista argumenta que, em novembro, a desaceleração de alguns componentes da inflação em relação a outubro podem ter contribuído positivamente no resultado. “Isso tende a liberar parte do orçamento das famílias. Além disso, a alta da massa de rendimentos e o aumento do número de pessoas ocupadas também contribuíram para sustentar as vendas”, acrescenta.

Por outro lado, o segmento de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, e veículos recuaram 13,5% e 2,2% respectivamente. Segundo Alessandra Coelho, a queda pode estar atrelada a fatores específicos dos segmentos, como o aumento da inflação no preço do automóvel novo.

“Apesar da oferta mais ampla de crédito, o segmento de veículos ainda registrou queda. Isso indica que, sem esse apoio do financiamento, o recuo poderia ter sido ainda mais intenso”, salienta.

Outro gargalo que impede maior crescimento do comércio varejista é a elevada taxa de juros, que restringe o consumo, encarece o parcelamento e desestimula compras de maior valor. Com o crédito mais caro, a especialista avalia que o consumidor tende a adiar decisões, reduzir o tíquete médio e concentrar gastos em itens essenciais.

Mesmo com altos juros, o setor registra crescimento de 1,6% no acumulado de 2025 até novembro. Ainda assim, a analista explica que ainda não é possível cravar o consolidado do ano, já que o desempenho de dezembro pode alterar o resultado final. “Historicamente, o último mês do ano tende a ser positivo, impulsionado pelos preparativos para o Natal e pela sazonalidade do consumo”, pontua.

Após recuperação no fim do ano, tendência é de desaceleração em 2026

De acordo com o economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto, os indicadores mostram uma combinação de um comportamento típico do setor no fim de ano, aliado a um período de recuperação. “É um movimento de recuperação, já que começamos o segundo semestre com fortes quedas, mas também influenciado pelas promoções da Black Friday”, avalia.

Além disso, o mercado evidencia dinâmicas positivas para o comércio varejista. Em novembro, o pagamento do 13º salário reforçou a renda disponível das famílias, enquanto o câmbio mais favorável ajudou a reduzir custos, especialmente em produtos com componentes importados.

Para 2026, o economista afirma que a tendência é de desaceleração, incluindo em segmentos com alto peso no mercado, como supermercados e veículos. “O impacto aparece com mais força no varejo ampliado, por reunir segmentos mais dependentes de crédito. Esse cenário também é reflexo de uma política monetária contracionista, que acaba contendo o consumo”, explica Porto.

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