Confiança do consumidor de BH sobe 4,1% em setembro, mas pessimismo ainda predomina

Índice alcança 43,84 pontos, com melhora nas expectativas sobre a economia e a situação financeira das famílias
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Confiança do consumidor de BH sobe 4,1% em setembro, mas pessimismo ainda predomina
Apesar de a intenção de consumo indicar melhora, consumidores ainda estão insatisfeitos | Crédito: Alessandro de Carvalho

A confiança do consumidor de Belo Horizonte avançou 4,10% em setembro, na comparação com agosto, mas ainda no intervalo da percepção pessimista. É o que mostra o Índice de Confiança do Consumidor (ICC-BH) deste mês, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG).

Conforme o levantamento, o indicador atingiu 43,84 pontos, em uma escala de zero a 100, na qual resultados abaixo de 50 indicam pessimismo. Apesar da alta mensal, quatro dos seis componentes do indicador continuam abaixo desse patamar.

No acumulado de 2026, o ICC registra crescimento de 6,01% e, quando comparado à setembro do ano passado, o avanço é de 5,49%. O resultado reflete uma melhora nas expectativas dos consumidores, embora a percepção negativa sobre determinados aspectos da economia ainda limite a recuperação da confiança.

Os dados, na visão do economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato, representam uma redução do pessimismo, mas ainda não configura uma mudança consolidada no sentimento dos consumidores. “Há uma melhora na margem e ela aparece tanto na expectativa econômica quanto na financeira, mas ainda de forma desigual entre os componentes”, comenta.

Melhora nas expectativas econômicas

O Índice de Expectativa Econômica (IEE) cresceu 3,20% em setembro, impulsionado, principalmente, pela melhora na avaliação da situação econômica do País, que avançou 8,97% no mês. O componente atingiu 35,74 pontos, permanecendo abaixo do nível de otimismo, apesar de acumular alta de 17,58% em 2026.

A percepção sobre o emprego também apresentou evolução positiva, com crescimento de 4,16% em setembro. O indicador alcançou 43,18 pontos e acumula avanço de 11,57% no ano. Assim como na avaliação da economia brasileira, entretanto, o resultado ainda indica predominância do pessimismo entre os consumidores.

Na direção contrária, o componente relacionado à inflação recuou 5,76% em setembro, para 28,64 pontos. O resultado representa a menor pontuação entre os seis indicadores que compõem o ICC-BH e evidencia a percepção negativa dos entrevistados em relação a esse aspecto. Apesar da queda mensal, o indicador de inflação acumula crescimento de 7,46% em 2026 e de 2,95% nos últimos 12 meses.

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Situação financeira das famílias sustenta confiança

O Índice de Expectativa Financeira da Família (IEF) registrou alta de 4,84% em setembro, com avanço nos três componentes que o integram. A situação financeira atual das famílias cresceu 5,46%, alcançando 59,32 pontos, enquanto a pretensão de compra avançou 8,16%, para 39,32 pontos.

A avaliação da condição financeira atual é o componente com maior pontuação entre os seis indicadores e um dos dois que permanecem acima de 50 pontos. O resultado sugere uma percepção favorável dos consumidores sobre as próprias finanças, mesmo diante do pessimismo em relação à economia nacional.

Para D’Amato, essa diferença reflete a separação entre a percepção da situação financeira familiar e a avaliação do ambiente econômico mais amplo. “O consumidor pode perceber que conseguiu organizar melhor seu orçamento e, ao mesmo tempo, continuar preocupado com fatores que podem comprometer essa condição mais à frente. A inflação assume um papel importante nessa percepção porque afeta diretamente o poder de compra e permanece como o componente de maior cautela”, pondera.

Já a situação financeira das famílias em comparação com o passado apresentou estabilidade, com variação positiva de 0,11% e pontuação de 50,40. Embora permaneça ligeiramente acima do limite entre pessimismo e otimismo, o indicador acumula queda de 0,56% em 12 meses.

A pretensão de compra, por sua vez, apesar de apresentar uma das maiores altas mensais, ainda não ultrapassou o patamar de otimismo. O componente também registra retração de 0,55% no acumulado do ano, embora tenha avançado 7,84% na comparação com setembro de 2025.

Vestuário lidera intenção de compra

Entre os bens e serviços que os consumidores de Belo Horizonte pretendem adquirir nos próximos três meses, vestuário e calçados concentram a maior proporção de citações, com 15,91%. Turismo e veículos aparecem na sequência, ambos com 10,45%.

Informática e telefonia e moradia registram participação de 9,09% cada, enquanto eletrodomésticos representam 8,18% das intenções. Eletrônicos e móveis aparecem com 5,91% e 5,45%, respectivamente.

Para o economista, a presença de turismo e veículos entre os segmentos mais mencionados indica que a intenção de consumo não está restrita a compras imediatas. “Um aspecto interessante é que essa melhora já começa a aparecer na intenção de consumo. (…) A presença de turismo e veículos é particularmente interessante porque mostra que a intenção de consumo não está restrita apenas a compras mais imediatas”, observa.

O levantamento também identificou diferenças entre os consumidores por sexo. A proporção de mulheres com intenção de compra foi de 83,03%, ante 75,93% entre os homens. Entre elas, vestuário e calçados e turismo foram os segmentos mais mencionados. Já os homens citaram principalmente vestuário e calçados e veículos.

Metodologia

A pesquisa do Ipead foi realizada presencialmente com 220 consumidores que compram com frequência em Belo Horizonte, entre os dias 1º e 17 de setembro. A margem de erro do índice geral é de 1,56 ponto.

O ICC-BH é calculado mensalmente a partir de seis componentes, divididos entre expectativas econômicas e financeiras. O indicador busca mensurar a percepção dos consumidores sobre a conjuntura e suas perspectivas de consumo, fornecendo subsídios para o planejamento de estoques, contratações e investimentos do comércio varejista.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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