Cesta básica cai 0,25% em BH, mas ainda consome quase metade do salário mínimo
O custo da cesta básica em Belo Horizonte ficou mais “em conta” no mês de agosto, com queda de 0,25%, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). O valor médio da cesta na capital mineira ficou em R$ 757,19.
Apesar da redução, a cesta ainda tem um peso significativo no bolso do consumidor mineiro, pois o custo representa 46,71% do valor do salário mínimo, fixado atualmente em R$ 1.621,00. Em agosto de 2025, essa proporção era de 48,91% e a cesta custava R$ 14,71 a menos. Ou seja, embora a cesta esteja mais cara em termos nominais, atualmente ela representa uma parcela menor do salário mínimo, porém segue influenciando bastante no poder de compra da população.
O custo da cesta básica em BH acumulou alta de 1,94% no ano e de 1,98% nos últimos 12 meses. Dos 13 itens que compõem a cesta básica, os preços de sete recuaram em agosto. Os itens com as maiores quedas foram: batata inglesa (-10,94%), feijão carioquinha (-6,26%) e café moído (-2,20%).
As maiores altas foram: tomate (3,95%), açúcar cristal (1,48%) e banana caturra (1,43%). A carne teve leve alta, com 1%. Considerando a importância relativa de cada produto na composição da cesta básica, os itens que mais contribuíram para a queda do custo foram: batata (-0,48 p.p.), feijão (-0,36 p.p.) e café (-0,09 p.p.).
“Realmente a cesta apresentou queda novamente em agosto, de 0,25%, que foi bem mais discreto do que a queda de julho, quando ela tinha caído mais de 5%. Mas mesmo assim a gente considera uma boa notícia para a população”, disse o gerente de pesquisas da Fundação Ipead, Eduardo Antunes.
Antunes destacou que a batata inglesa, com queda de quase 11% no preço, foi o produto que mais ajudou a puxar a cesta para baixo nesse mês, mas outros dois produtos também tiveram destaque positivo para queda dos preços. “Dois itens muito presentes na vida do brasileiro, o feijão, com a queda de 6%, e o café, que teve redução de pouco mais de 2%, também foram importantes para a cesta mais em conta”, diz o economista do Ipead.
Sazonalidade
O tomate, que vinha tendo quedas nos últimos levantamentos da Fundação Ipead, entrou para o grupo dos itens que tiveram elevação de preços. E o motivo pode estar ligado à época do ano.
“Condições climáticas não favoráveis ao tomate ajudaram na elevação de quase 4% do preço. A carne também subiu. Problemas de distribuição podem ter contribuído com um valor mais alto. Já a batata, que foi o principal produto que mais ajudou a segurar a cesta, vinha de altas sucessivas também, e nesse mês acabou melhorando a produção e distribuição desse produto, o que ajudou a deixá-la mais barata neste momento. Então, a questão das safras provavelmente ajudou a segurar os valores da cesta básica nesse momento”, disse Eduardo Antunes, da Fundação Ipead.
Tendências
Sem “cravar” um padrão, Eduardo Antunes, da Fundação Ipead, diz que os valores da cesta básica podem apresentar volatilidade até o fim do ano.
“Provavelmente pode ser o que vai acontecer com ela até o final de 2026, caso não aconteça alguma coisa muito diferente com relação aos produtos que estão associados à cesta básica. Mas, com a aproximação do fim do ano, a tendência é de que os produtos alimentícios, como um todo, subam de preço, por pressão das festas da época”, conclui.
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