Economia

Confiança dos empresários mineiros cai pelo 15º mês consecutivo e atinge pior nível para fevereiro em 10 anos

Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei-MG) recua pelo 15º mês, sinalizando cenário desafiador e cautela para a indústria mineira
Confiança dos empresários mineiros cai pelo 15º mês consecutivo e atinge pior nível para fevereiro em 10 anos
Crédito: Adobe Stock

Motivada por um conjunto de fatores macroeconômicos, a confiança do empresário industrial em Minas Gerais voltou a recuar em fevereiro e intensificou o cenário de pessimismo no setor. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei-MG), medido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), caiu 1,3 ponto na passagem de janeiro para fevereiro, passando de 47,1 para 45,8 pontos.

Segundo a analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Muniz, o resultado evidencia uma intensificação da falta de confiança entre os industriais mineiros. “O índice recuou e marcou o 15º mês consecutivo abaixo da linha de 50 pontos, que é o patamar que separa confiança de falta de confiança”, afirma.

Além da queda na comparação mensal, o indicador também piorou em relação a fevereiro de 2025, quando registrava 46,7 pontos. Houve retração de 0,9 ponto, configurando o menor nível para o mês em uma década. O resultado também ficou bem abaixo da média histórica do índice, de 52,2 pontos. “O índice ficou 6,4 pontos abaixo da média histórica, o que reforça que o ambiente de negócios está bastante desafiador para a indústria mineira”, destaca Daniela.

Segundo a economista da Fiemg, o movimento de queda em fevereiro foi puxado principalmente pelas expectativas dos empresários. O indicador recuou dois pontos, passando de 50,1 em janeiro para 48,1 em fevereiro. “Em janeiro, ele estava naquele patamar de neutralidade, muito próximo dos 50 pontos. Em fevereiro, voltou para o campo pessimista”, explica Daniela Muniz.

Na comparação com fevereiro de 2025 (48,8 pontos), o índice de expectativas também apresentou recuo, nesse caso, de 0,7 ponto, e marcou o menor valor para o mês em 10 anos.

Já o índice de condições atuais permaneceu em 41,3 pontos, repetindo o desempenho de janeiro e sinalizando percepção negativa em relação à economia brasileira, à economia mineira e aos próprios negócios. “Quando comparamos com fevereiro do ano passado, também houve piora. Em 2025, o índice estava em 42,6 pontos. Foi o pior resultado para o mês em dez anos”, afirma.

De acordo com Daniela Muniz, o cenário de desconfiança está ligado a um conjunto de fatores macroeconômicos. Entre eles, a moderação do crescimento econômico desde o fim do ano passado, o ambiente de crédito restritivo e o ciclo monetário apertado.

“A gente tem um ciclo monetário bem apertado, com taxa de juros muito elevada, e isso influencia o sentimento dos empresários”, diz.

Embora a inflação apresente desaceleração em alguns segmentos, ainda pressiona os custos de produção e o poder de compra das famílias, além de permanecer acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

No cenário externo, a volatilidade também contribui para o ambiente de incerteza. “Temos muitas incertezas geopolíticas e uma oscilação muito grande envolvendo os Estados Unidos. Isso gera insegurança, principalmente para quem exporta, mas também para quem importa insumos”, ressalta.

Investimentos e contratações podem ser impactados

Para a analista, o dado acende um alerta sobre o comportamento do setor nos próximos meses. “A confiança é um indicador antecedente da atividade. Quando permanece persistentemente abaixo de 50 pontos, como já acontece há 15 meses, tende a sinalizar maior cautela nas decisões de investimento e contratação”, diz.

Segundo ela, caso o ambiente macroeconômico não apresente melhora mais consistente, a indústria pode manter uma postura mais defensiva ao longo do semestre.

Outra questão que ela ainda ressalta é o pessimismo generalizado entre os diferentes portes de empresas: pequenas, médias e grandes. Todas elas apresentam pessimismo, no entanto, a confiança é um pouco mais baixa nas pequenas empresas. “Elas sentem de forma mais intensa a restrição de crédito e a desaceleração da demanda. Isso afeta de maneira mais direta as expectativas delas”, explica.

Com o menor resultado para fevereiro em uma década e abaixo da média histórica, o indicador sinaliza, na análise de Daniela Muniz, que o início de 2026 é mais desafiador para a indústria mineira do que nos anos anteriores, reforçando o ambiente de cautela no setor produtivo.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas