Conflito no Oriente Médio já impacta preços dos combustíveis das distribuidoras em MG
Depois da cotação do barril de petróleo subir mais de 10% e atingir cerca de US$ 83, em meio ao conflito no Oriente Médio, os preços dos combustíveis nas distribuidoras de Minas Gerais já começam a ser impactados. É o caso da Rede de Postos Ipiranga, que enviou um comunicado interno, ao qual o DIÁRIO DO COMÉRCIO teve acesso, informando o reajuste nos valores do diesel e da gasolina a partir desta quarta-feira (4).
De acordo com o comunicado, o aumento, cujo percentual não foi informado, é justificado pela alta nos preços internacionais do petróleo e de seus derivados. Procurada pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, a Ipiranga destacou, em nota, que o custo do setor de combustíveis é influenciado por diversos fatores e que, no caso do diesel, um deles é o fato de cerca de 30% do volume consumido no País ser importado.
Nesse contexto, a Ipiranga explicou ainda que “a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhados às práticas do setor”.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, o aumento já era esperado. Desde o ataque coordenado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, na madrugada do último sábado (28/02), o valor do barril de petróleo registrou forte alta, elevando os custos e ampliando ainda mais a defasagem entre os preços praticados no Brasil e a cotação internacional.
Segundo o presidente da Abicom, enquanto o diesel é vendido no mercado internacional a cerca de R$ 4,51 por litro, o preço praticado pela Petrobras é de R$ 3,20 por litro. Já a gasolina, cujo preço médio no mercado internacional gira em torno de R$ 3 por litro, é vendida pela Petrobras no Brasil a R$ 2,64 por litro. A situação impacta os preços praticados por refinarias privadas e importadoras, que pressionam a Petrobras por um reajuste.
Procurada, a Petrobras informou, em nota, que monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional e seus possíveis desdobramentos para o mercado brasileiro, tendo como premissas a prática de preços competitivos frente às principais alternativas de suprimento e o não repasse imediato da volatilidade externa aos preços internos.
Segundo a empresa, essa estratégia evita a prática de reajustes diários, para cima e para baixo, como ocorria no passado. A Petrobras destaca ainda que possui boas condições de refino e logística, o que permite proporcionar períodos de maior estabilidade de preços aos clientes. “Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora”, afirmou.
Sobre a possibilidade de novos reajustes, a Petrobras declarou que, “por questões concorrenciais, não antecipa decisões sobre manutenção ou reajuste de preços”.
A empresa reforçou ainda que o preço final nos postos é definido pelos revendedores, já que o mercado brasileiro opera sob o princípio da livre concorrência, conforme estabelece a legislação.
Postos de combustíveis no Norte de Minas já sentem impactos
Na análise do presidente da Abicom, como a gasolina e o diesel vendidos na Grande Belo Horizonte e no Triângulo Mineiro são adquiridos nas refinarias da Petrobras, os preços não devem ser impactados de imediato nessas regiões. No entanto, no Norte de Minas, o efeito já é percebido. “A região Norte do Estado recebe produtos importados e das refinarias privadas da Bahia, que já estão aumentando seus valores, pois os produtos importados estão chegando mais caros”, afirma.
Aumento sentido pelo gerente do Posto Alvorada, na cidade de Januária, Felipe Rodrigues. De acordo com ele, a alta nos preços já foi percebida nesta semana. “Somos um posto de bandeira branca e fazemos cotação em diversas distribuidoras. Quase todas já estão com preços, em média, 4% mais altos”, relata.
No caso do diesel, o gerente afirma que o produto está em falta no mercado. “Não sei se estão segurando para aproveitar o momento ou se realmente já há falta de diesel.”
Questionado sobre o possível repasse dos reajustes aos consumidores, Rodrigues explica que, como ainda possui estoque, vai “segurar” os preços por mais algum tempo. “Mas, se começar a prejudicar a saúde financeira da empresa, não terá jeito: teremos de repassar”.
Ouça a rádio de Minas