Construção perde dinamismo e recua 2,1% em Minas
Em um cenário de juros elevados e desestímulo aos investimentos, a atividade da construção civil apresentou recuo de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2025 em Minas Gerais. O Estado, que corresponde por 10% do mercado nacional, perde dinamismo no setor, gerando um impacto em cadeia em diferentes frentes comerciais e industriais.
Os dados fazem parte do Boletim da Construção, divulgado recentemente pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Apesar do resultado negativo no curto prazo, o desempenho nos últimos 12 meses segue positivo, de 1,8%, impulsionado pelos indicadores do último ano.
De acordo com a economista da Fiemg, Juliana Gagliardi, o setor parte de uma base elevada, após o bom desempenho de 2024, e segue em trajetória de desaceleração em 2025. “A atividade é fortemente influenciada pelo crédito habitacional, que ficou mais caro com a taxa de juros elevada. Isso reduz o ritmo de investimentos públicos e privados e acaba freando o setor como um todo”, explica.
Além da construção, o resultado tende a impactar significativamente outras cadeias produtivas, como a do cimento, ferro, placas e aço, que fornecem insumos para o setor. Os impactos também abrangem a dinâmica do mercado de trabalho, que, no segundo trimestre de 2025, recuou 5,6% em Minas Gerais frente ao mesmo trimestre de 2024.
“Percebemos esse movimento não apenas na indústria, mas também no comércio, especialmente na venda de materiais de construção e no próprio mercado de trabalho. São vários componentes da economia, tanto industriais quanto comerciais, sendo diretamente influenciados por esse cenário”, afirma a economista.
Otimismo está encorado na ampliação de políticas públicas
Lançado em outubro pelo governo federal, o novo modelo de crédito imobiliário deve impactar positivamente o setor da construção nos próximos meses. O modelo promete ampliar os mecanismos de financiamento e consequentemente a demanda por habitação, levando fôlego para a indústria. A expectativa é que a medida injete cerca de R$ 20 bilhões em crédito imobiliário e viabilize oportunidades de financiamento para 80 mil novos imóveis.
Além disso, o programa Reforma Casa Brasil promete alavancar projetos destinados aos imóveis já construídos que precisam de adequações. O programa promete incentivos destinados à compra de materiais, pagamento de mão de obra e serviços técnicos, beneficiando uma ampla cadeia produtiva no País.
Com esses incentivos, Juliana Gagliardi ressalta que a tendência é de aumento na demanda, além da ampliação de benefícios para outras faixas de público. “Políticas antes focadas apenas em rendas mais baixas passaram a alcançar também a classe média. Esse estímulo ao crédito era justamente o que deve segurar a pujança do setor”, destaca.
Até o fim do ano, a expectativa é de crescimento, embora menor frente ao registrado em 2024. A tendência, segundo a economista, é que os números cresçam gradualmente à medida em que as ações se fortaleçam a alcancem novos públicos.
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