Consumo de canetas emagrecedoras cresce 70% em MG e deve acelerar com queda de patentes
O consumo de medicamentos para perda de peso em Minas Gerais, as famosas canetas emagrecedoras, acelerou de forma significativa em 2025 e deve crescer ainda mais neste ano diante da queda de patentes de medicamentos à base de agonistas GLP-1. Segundo a Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma), nos últimos 12 meses, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, foram comercializadas mais de 1,1 milhão de unidades no Estado, alta de 71,2% em relação ao período imediatamente anterior, quando foram comercializadas 653 mil unidades.
O aumento nas vendas é atribuído à ampliação do acesso e à mudança no perfil de consumo, com maior presença de medicamentos mais recentes, especialmente os conhecidos como canetas emagrecedoras, como Ozempic, Mounjaro, Wegovy e Saxenda.
Segundo o presidente-executivo da Abafarma, Oscar Yazbek Filho, Minas Gerais reproduz a tendência nacional. “O Estado reflete o mesmo movimento observado na maior parte do País, com crescimento acelerado da venda de emagrecedores, especialmente os agonistas da GLP-1”, afirma.
Ele aponta que o avanço está associado a fatores estruturais. “Isso mostra uma conscientização crescente da população sobre os riscos à saúde associados à obesidade e ao excesso de peso, bem como a ampliação do acesso a esses medicamentos”, diz.
Minas Gerais responde por cerca de 6,5% das unidades comercializadas no País, o que posiciona o Estado como um dos principais mercados regionais do setor. Apesar disso, o executivo afirma que não há uma grande diferença no padrão de consumo local em relação à média nacional.
Queda de patentes e novo ciclo de expansão
A expectativa do setor é de que o crescimento ganhe novo impulso com o fim de patentes de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, que expirou no último dia 20, abrindo espaço para a entrada de biossimilares e novos fabricantes.
A tendência é de redução dos preços, mas com ampliação da base de consumidores. “Existe uma expectativa de alta ainda mais expressiva com o fim de algumas patentes e entrada de mais players no mercado. O tíquete médio cai, mas o faturamento do setor não acompanha esta queda, pois temos acesso a mais pacientes”, afirma Yazbek.
Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic. Dos produtos em análise, sete são de origem sintética e um de origem biológica. Além disso, outros nove produtos aguardam o início da análise pelas áreas técnicas.
Na prática, o movimento aponta para uma mudança estrutural no mercado: a transição de um segmento ainda restrito, marcado por preços elevados, para um ambiente de maior escala e penetração.
Abastecimento diante da alta procura
Do lado da oferta, o setor avalia que a estrutura logística é suficiente para absorver o avanço da demanda, mesmo diante do crescimento acelerado. “Esse movimento, assim como eventuais altas de outras classes medicamentosas, encontra uma ampla estrutura já existente tanto no varejo farmacêutico (farmácias e drogarias), quanto entre os distribuidores farmacêuticos”, afirma.
Ele acrescenta que a capilaridade da distribuição reduz o risco de desabastecimento. “Na Abafarma, as nossas associadas atendem todas as metrópoles e grandes cidades do País e 99% dos pequenos municípios. Portanto, um salto de demanda em medicamentos específicos é algo que pode ser atendido pela estrutura existente do setor, garantindo o abastecimento do mercado.”
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