Potencial a explorar
O comércio formal de joias e pedras preciosas somou U$ 3,59 bilhões em 2024, valor que poderá chegar aos U$ 5,35 bilhões em mais 5 anos. O crescimento esperado será consequência de estratégias mais agressivas de divulgação e vendas, além de esforços para adequar a oferta à realidade do mercado, como disponibilidade de produtos de menor custo. Existem razões objetivas para acreditar que as projeções que estão sendo feitas podem ser até modestas se considerado o potencial do setor, assim como os níveis de informalidade ainda predominantes. Ou, mais recentemente, a valorização de metais e gemas preciosas, que chegam a patamares inéditos por conta do acirramento das tensões internacionais. Caso específico do ouro, que acumulou alta de 45% no período contado a partir do ano passado e até o mês de março, impulsionado precisamente pelas tensões e consequentes incertezas econômicas.
A valorização de metais, assim como de pedras, reflete condições prevalentes e convida a reflexões sobre o potencial que nunca chegou a ser explorado plenamente desde que os primeiros colonizadores chegaram às terras mineiras até o presente. O que deixou de ser feito, por conta de variadas injunções, sem dúvida aponta o que pode ser feito e para muito além dos movimentos de alavancagem destacados em recente reportagem publicada neste jornal.
Trata-se sim, e sem espaço para dúvidas, de valorizar o design de joias e a própria ourivesaria que ganharam impulso nos últimos anos em Minas. Mas é preciso também estimular a lapidação, começando pela formação de profissionais e criação de centros de certificação, o que significa agregar valor às pedras mineiras e igualmente reduzir as proporções da sonegação, sabidamente grande. Caminhar nessa direção, com políticas melhor estruturadas e mais assertivas, objeto de discussões que se perderam no tempo, como o esquecido projeto de construção de um grande centro de lapidação na região de Nova Lima, pode ser o mesmo que devolver a Minas Gerais, com pelo menos 3 séculos de atraso, as perdas decorrentes da extração predatória que foi a principal marca do período colonial.
Tal perspectiva não é mais que o reconhecimento do potencial dos recursos ainda disponíveis em Minas Gerais e das condições inadequadas de sua exploração, tudo resultando em perdas que jamais poderão ser determinadas ou indenizadas. Mas que sem lugar para dúvidas poderão ser revertidas com melhores práticas de prospecção, extração e beneficiamento, além de controles elementares para evitar o descaminho. Tudo com resultados que poderão ir muito além das projeções agora apresentadas.
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