Comércio de BH enfrenta dificuldades para contratar temporários para o fim de ano

Pesquisa da CDL/BH mostra que 41% dos empresários apontam falta de comprometimento como principal obstáculo; metade vê alta chance de efetivação
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Comércio de BH enfrenta dificuldades para contratar temporários para o fim de ano
Crédito: CDL Governador Valadares/ Divulgação

A falta de comprometimento e de responsabilidade dos candidatos é o principal obstáculo apontado por empresários de Belo Horizonte na contratação de trabalhadores temporários para o fim de ano. Pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) mostra que 41% dos micro e pequenos empresários que pretendem reforçar as equipes mencionam esse problema como a maior dificuldade no recrutamento. Outros 23% citam a escassez de candidatos, enquanto 6,6% apontam os custos da contratação.

A dificuldade ocorre justamente no período de maior movimento para o comércio, impulsionado por datas como a Black Friday e o Natal. Para o vice-presidente da CDL/BH, Fernando Cardoso, o comprometimento é um requisito fundamental, mas as empresas também precisam contribuir para o engajamento dos profissionais. “O principal hoje é a pessoa ter força de vontade e ser comprometida com aquele emprego”, afirma.

Segundo Cardoso, os empresários também devem demonstrar que as vagas oferecem remuneração adequada, reconhecimento e perspectivas de crescimento.

A especialista em contratos terceirizados e sócia da Facility Group, Tatiana Bretas, avalia que a dificuldade de encontrar profissionais interessados em uma contratação permanente também limita o reforço das equipes. Segundo ela, parte dos candidatos encara o trabalho temporário apenas como uma oportunidade de curta duração, sem intenção de permanecer na empresa após o período sazonal.

“Muitas vezes, a mão de obra que vem está aquém do que o empresário precisa, porque ela tem objetivos determinados e não se qualifica, não tem engajamento, podendo até comprometer a qualidade do que ele se propõe a entregar”, diz.

Segundo ela, as contratações temporárias de fim de ano costumam durar de 30 a 40 dias, abrangendo o período entre a Black Friday e a véspera de Natal. Nesse intervalo, as empresas avaliam o desempenho dos trabalhadores e podem efetivar aqueles que se destacam. No setor de terceirização, a especialista afirma que o processo também permite substituir profissionais com desempenho abaixo do esperado.

Apesar das dificuldades, a pesquisa aponta oportunidades de contratação permanente após o período sazonal. Entre os empresários que pretendem admitir temporários em 2026, 50,8% consideram alta ou muito alta a possibilidade de efetivação. Em 2025, 23,2% dos trabalhadores temporários foram contratados de forma permanente, segundo os entrevistados.

Para Fernando Cardoso, o resultado é positivo e acompanha a expectativa de um desempenho melhor do comércio neste fim de ano, na comparação com 2025. Ele destaca que os trabalhadores contratados para a Black Friday podem permanecer nas equipes até o Natal, atendendo à demanda das duas datas.

“A gente tem mais de 70% do PIB de Belo Horizonte vindo de comércio e serviços, e mais de 80% dos empregos também. Quando temos uma expectativa positiva para essas duas datas, a cidade se beneficia como um todo”, afirma.

Tatiana Bretas pondera, porém, que a efetivação também depende do interesse dos trabalhadores em permanecer nas empresas. Segundo ela, a necessidade de mão de obra permanente poderia resultar em mais contratações definitivas caso houvesse maior disposição dos profissionais para continuar após o período sazonal.

Vendas e atendimento concentram vagas

Entre as empresas que pretendem reforçar temporariamente as equipes, 86,9% buscam vendedores, atendentes ou profissionais para ambas as funções. Os vendedores lideram as intenções de contratação, mencionados por 57,4% dos entrevistados, seguidos por atendentes e balconistas (49,2%). Também há demanda por estoquistas (13,1%), auxiliares e ajudantes (9,8%) e operadores de caixa (8,2%).

Jéssica Marta da Off Premium | Foto: Arquivo Pessoal

A pesquisa também aponta intenção de contratação temporária entre os empresários que se preparam para a Black Friday: 25,6% pretendem reforçar as equipes para a data. Entre esses estabelecimentos, 21,9% atuam tanto no comércio físico quanto no virtual.

Na loja de roupas Off Premium, a gerente Jéssica Marta conta que há seis vagas abertas, com possibilidade de efetivação. Segundo ela, as principais dificuldades para atrair candidatos estão relacionadas ao funcionamento da unidade em um shopping, que exige disponibilidade para trabalhar à noite e nos fins de semana, além da concorrência com outras oportunidades de emprego.

Para tornar as vagas mais atrativas, a loja adotou uma escala de trabalho com duas folgas semanais, em substituição ao regime 6×1.

“A gente já deixou a escala 6×1 há algum tempo. Desde a pandemia o comportamento do ser humano mudou muito e quem está no comércio é porque gosta de ganhar dinheiro”, avalia Jéssica.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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