Cooperativas mirins formam jovens empreendedores e fortalecem a economia de Minas

Projeto, apoiado pelo Sicoob Sarom, impulsiona o aprendizado prático de cooperativismo, finanças e negócios para alunos em escolas mineiras e já alcançou mais de 60 mil crianças e jovens
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Cooperativas mirins formam jovens empreendedores e fortalecem a economia de Minas
Foto: Divulgação Sicoob

Neste Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), um projeto desenvolvido em escolas de Minas Gerais transforma o aprendizado em experiências práticas de empreendedorismo, educação financeira e cooperativismo. Com apoio do Sicoob Sarom, as cooperativas mirins ensinam crianças e adolescentes a administrar recursos, organizar negócios e trabalhar coletivamente. Em São Roque de Minas, no Centro-Oeste do Estado, a iniciativa também inspirou o Canastra Agro, voltado aos estudantes que vivem na zona rural.

O programa já alcançou mais de 60 mil crianças e jovens em 120 escolas municipais e estaduais de 17 municípios. Atualmente, o Sicoob Sarom contabiliza 16 cooperativas mirins, e 40% dos funcionários da instituição passaram pelo projeto durante a infância ou a juventude, segundo dados da cooperativa.

Educação financeira na prática

As cooperativas mirins funcionam como pequenos empreendimentos escolares que recebem a orientação de professores da rede estadual de ensino. No projeto, os alunos elegem dirigentes, definem produtos e organizam atividades de produção e comercialização. As iniciativas incluem venda de alimentos, entretenimento e serviços de comunicação e marketing.

O trabalho resulta em feiras empreendedoras, que mobilizam estudantes, familiares e moradores que chegam a reunir mais de mil pessoas na cidade de São Roque de Minas, no centro-oeste mineiro.

Além de ensinar conceitos de gestão, as atividades abordam o valor do dinheiro, o planejamento e as decisões financeiras. Para a orientadora educacional e professora de Sociologia e História da Escola Estadual General Carneiro, Edneia Machado, o aprendizado ultrapassa os conhecimentos matemáticos.

“O trabalho vai além do empreendedorismo. Falamos sobre o valor do dinheiro, entendido como resultado da nossa força de trabalho. A educação financeira não é apenas matemática: também é uma educação emocional, porque precisamos compreender o significado que o dinheiro tem em nossas vidas, e não somente o que podemos ou não comprar com ele”, comenta.

A experiência também contribui para a formação profissional. De acordo com Ighor Oliveira, gerente de Educação e Desenvolvimento do Cooperativismo do Sicoob Sarom, o objetivo é transformar os princípios cooperativistas em vivências concretas.

“Dentro dos princípios, começamos a trabalhar os modelos de negócio, tendo o empreendedorismo e a educação financeira como eixos condutores. A constituição da primeira cooperativa mirim foi uma forma de tangibilizar aquele conhecimento”, explica.

O resultado aparece também na composição da equipe da instituição: quatro em cada dez funcionários passaram pelas cooperativas mirins. Segundo Ighor, esses profissionais apresentam menor rotatividade e demandam menos treinamento e integração.

Projeto valoriza estudantes da zona rural

Criado em 2024, o Canastra Agro surgiu de uma sugestão dos próprios estudantes da Escola Estadual General Carneiro. A iniciativa reúne alunos do primeiro ao terceiro ano do ensino médio que moram na zona rural e promove visitas técnicas, capacitações e participação em eventos do agronegócio, como a Agrishow e a Megaleite.

Em São Roque de Minas, a proposta casou com a vivência dos estudantes, já que muitos deles vivem a rotina da produção de café, leite e queijo dentro de casa. Nas atividades, os jovens conhecem tecnologias utilizadas nas propriedades, conversam com profissionais e compartilham experiências com estudantes de outras escolas.

Segundo Edneia, o projeto também contribuiu para mudar a percepção dos alunos sobre os colegas que vivem no campo. Antes, alguns eram ridicularizados por morar na roça. Agora, despertam o interesse da turma ao apresentar conhecimentos sobre aplicativos de monitoramento de animais, uso de drones e técnicas agrícolas.

A professora cita o caso de um ex-aluno cuja família se mudou para São Roque de Minas para trabalhar e, posteriormente, conseguiu adquirir um pequeno sítio. Depois de participar do Canastra Agro, ele decidiu cursar Agronomia.

As famílias também participam diretamente das atividades, recebendo estudantes nas propriedades e explicando os processos produtivos. O projeto conta com apoio do Sicoob Sarom, da prefeitura e de profissionais parceiros para viabilizar capacitações e visitas.

Cooperativismo impulsiona o desenvolvimento local

O investimento em educação começou a ganhar força diante da falta de mão de obra qualificada enfrentada por São Roque de Minas. Segundo Ighor, a experiência inicial com uma cooperativa educacional levou à criação de ações voltadas às escolas públicas, com capacitação de professores e atividades adaptadas à idade dos estudantes.

Além do alcance educacional, os dados do Sicoob Sarom indicam que cerca de cinco mil crianças e jovens se tornaram cooperados regulares da instituição. Juntos, eles mantêm R$ 15 milhões em ativos financeiros, sendo R$ 11 milhões em depósitos e R$ 4 milhões em aplicações de poupança.

A proposta também é expandir o modelo para outros municípios da área de atuação da cooperativa, por meio de parcerias com prefeituras e secretarias de Educação. A instituição oferece capacitação aos professores, enquanto as escolas conduzem as atividades com os alunos.

Para Edneia, a transformação mais significativa está no reconhecimento dos estudantes sobre sua participação na economia municipal. “A autoestima dos jovens da zona rural mudou completamente. Eles estão percebendo a importância que têm para o município. Nossa riqueza vem, em grande parte, do trabalho realizado no campo. Por isso, é justo valorizar esses estudantes e estimular seu desenvolvimento”, conclui.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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