Blocos de Belo Horizonte podem ter custos de até R$ 500 mil para desfilar no Carnaval 2026
A programação oficial do Carnaval 2026 em Belo Horizonte terá início no dia 31 de janeiro. Antes disso, diversos blocos já realizam ensaios e eventos de aquecimento pela Capital, animando os foliões e mobilizando o público para contribuir com os custos necessários para levar os desfiles às ruas de BH.
O cortejo no Carnaval de BH, que se tornou um dos maiores do País, tem um valor bem alto para sair com uma boa estrutura, dentro do que exige a festa e o poder público. Um bloco de porte médio/grande pode ter até R$ 500 mil de gastos com os desfiles.
Para ‘botar o bloco na rua’, como diria a música de Sérgio Sampaio, as agremiações de Belo Horizonte têm “se virado” como podem, fazendo festas, oficinas, buscando patrocínios, financiamento coletivo, além de contar com apoio financeiro da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio de editais de fomento.

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“O Carnaval de BH tomou proporções gigantescas. A cada ano surgem novos blocos, novos cortejos e novos públicos ocupando a cidade. Ao mesmo tempo, existe uma grande diferença de estrutura entre os blocos: muitos ainda saem ‘na raça’, levantando verba entre os próprios integrantes e inscritos da bateria, enquanto outros, com mais visibilidade, conseguem patrocínios que ajudam a viabilizar o desfile”, explica a diretora de comunicação do Bloco É o Amô, Gabriela Antunes.
“Estamos falando de equipe de apoio, cordeiros, segurança, cenografia, figurino, banda, carro de som ou trio elétrico, além de água e estrutura mínima para quem está desfilando. Hoje, um cortejo estruturado pode girar em torno de R$ 300 a R$ 500 mil, dependendo do tamanho, do percurso e da complexidade da operação”, detalha Gabriela.
Meios de financiamento
Apesar da Folia de Momo acontecer apenas uma vez ao ano, os blocos de BH precisam buscar recursos após a festa, até chegar o momento de desfilar novamente. Participar de eventos fechados, oficinas e contar com patrocinadores pontuais são alternativas que podem mitigar um pouco as dificuldades em fazer o Carnaval de forma estruturada na Capital do Estado com a segunda maior economia do Brasil.
“Tentamos buscar os recursos por meio de mensalidades de oficinas de musicalização, venda de shows e produtos, projetos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e editais de financiamento. A gente precisa de investimento público e privado logo que acaba um Carnaval para poder construir o próximo”, comenta o vocalista e organizador do Bloco Havayanas Usadas, Heleno Augusto.
Para equilibrar o lado artístico e o operacional, os blocos precisam ter metas e se planejar durante o ano para manter e fazer mais caixa que arque com as despesas, provenientes de aluguel de espaços para ensaios, instrumentistas e custos de operações de rua.
“A principal meta é sempre tentar manter um dinheiro em caixa. Esse recurso vem, principalmente, das oficinas e atividades ao longo do ano. Quando o período de ensaios começa de fato, esse caixa é fundamental para cobrir custos como aluguel de espaço (para blocos que não ensaiam na rua), equipamento de som e pagamento de profissionais envolvidos na produção”, ressalta Gabriela Antunes.
Investimento da prefeitura e editais
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, serão investidos R$ 3,21 milhões em auxílios financeiros para contemplar 105 blocos, dos 662 inscritos para desfilar. O valor é maior do que em 2025, quando foi R$ 1,762 milhão.
De acordo com o Executivo da Capital, as verbas podem ser utilizadas para a contratação de músicos, dançarinos, carregadores, assessores, produtores, técnicos de som, motoristas, seguranças, equipes de apoio, brigadistas, produção, minitrio, UTI móvel, entre outras despesas previstas no regulamento dos editais de financiamento.
Heleno Augusto, do bloco Havayanas Usadas, defende maior atuação do poder público, com leis que fortaleçam o fomento ao Carnaval e um modelo de investimento público mais ágil, permitindo que os blocos se organizem com antecedência e maior segurança financeira.
“É preciso uma lei que garanta esse financiamento para um carnaval do tamanho do nosso. Os recursos são sempre escassos e demoram muito a cair na conta dos blocos, o que gera transtornos e atrapalha todo o planejamento e a construção feita entre os carnavais”, destaca.
Gabriela Antunes concorda que os editais não conseguem atender todas as necessidades, mas entende que são importantes para compor a construção da folia em BH. “Os editais de fomento não cobrem todas as despesas, mas são, sim, uma ajuda importante, principalmente para os blocos menores que não têm patrocínio e nenhuma outra fonte de recurso”, pondera.
Os recursos de auxílio para os blocos de Carnaval de 2026 do edital da Prefeitura de BH ficaram distribuídos da seguinte forma:
- Categoria A: R$ 41,5 mil (50 blocos contemplados)
- Categoria B: R$ 24,1 mil (35 blocos contemplados)
- Categoria C: R$ 14,6 mil (20 blocos contemplados)
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