Dia das Crianças frustra metade do comércio em Minas; 70% das compras ficam entre R$ 50 e R$ 200

Mesmo com vendas estáveis em relação a 2025, data ficou aquém do projetado; roupas superaram brinquedos entre os itens mais vendidos
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Dia das Crianças frustra metade do comércio em Minas; 70% das compras ficam entre R$ 50 e R$ 200
As roupas foram os produtos mais procurados para presente do Dia das Crianças | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

O Dia das Crianças de 2026 ficou abaixo do esperado para metade do comércio em Minas Gerais. Pressionados pelo elevado endividamento das famílias, parte dos lojistas não conseguiu alcançar o desempenho esperado em vendas. A outra metade afirma que as vendas atenderam às expectativas.

Os dados são do Monitor de Vendas da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG). Segundo o levantamento, 54,9% dos empresários entrevistados apontaram que o desempenho foi semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado. Outros 22,5% perceberam melhora nas vendas, enquanto 20,6% relataram queda.

De acordo com a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, a estabilidade em relação ao ano passado reforça a percepção de que o resultado ficou aquém do projetado pelo setor. Segundo ela, o forte apelo afetivo da data costuma sustentar o otimismo dos lojistas, mesmo diante de sinais de cautela do consumidor.

“A expectativa já era de tíquete médio mais baixo em razão do preço elevado dos produtos, mas a confiança no peso emocional do Dia das Crianças acabou não se confirmando nas vendas”, destaca.

O levantamento identificou que o gasto médio dos consumidores na data ficou concentrado principalmente nas faixas de até R$ 200. Para 43% dos comerciantes, o gasto médio por cliente ficou entre R$ 50 e R$ 100. Outros 27% apontaram valores entre R$ 100 e R$ 200. Juntas, essas duas faixas representaram 70% das respostas.

A pesquisa também apontou que 9% dos entrevistados registraram gastos médios de até R$ 50, enquanto 6% apontaram valores entre R$ 300 e R$ 400.

Para Gabriela Martins, o resultado vai ao encontro da cautela do consumidor, que, apesar das dificuldades, não deixou de comprar por causa do valor afetivo da data. Segundo a economista, os empresários citaram como entraves o preço elevado dos produtos, que pesa sobre as datas comemorativas, e o endividamento das famílias, que aumenta a cautela e afeta diretamente o consumo.

Outro fator apontado foi a concorrência nacional. Desta vez, a principal preocupação concentrou-se na venda de produtos piratas e na atuação de empresas que atuam driblando tributos.

Brinquedos em segundo plano

Um dos resultados em destaque no levantamento é o potencial da data para o varejo em geral, em segmentos como roupas e acessórios. Ao contrário do que poderia sugerir o perfil da data, os brinquedos não lideraram as respostas dos comerciantes.

As roupas foram os produtos mais citados, com 18%, seguidas pelos acessórios, com 14%, e pelas bebidas, com 12%. Os brinquedos apareceram na quarta posição, mencionados por 11% dos entrevistados. Outros produtos também tiveram participação nas vendas, como calçados (7%), bolos e doces (6%) e carnes (5%).

Para quem enfrentou desafios de venda durante o Dia das Crianças e ficou com estoque parado, Gabriela Martins recomenda que o empresário analise o público e o nicho para evitar prejuízos. “A dica é avaliar os produtos em estoque, o perfil do cliente, o gasto com as compras feitas para formar esse estoque e o que pode ou não ser liquidado sem prejudicar a margem de lucro”, orienta.

Segundo a economista, datas como a Black Friday, em novembro, podem ser uma oportunidade para escoar parte das mercadorias. “Em alguns casos, a avaliação pode indicar que os produtos sejam guardados para o Natal, outra data de forte apelo afetivo”, avalia.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).


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