Eleições não devem frear mercado imobiliário de BH, avaliam especialistas
Em meio ao calendário eleitoral e às discussões sobre os rumos da economia nacional, o mercado imobiliário de Belo Horizonte mantém a perspectiva de crescimento. A avaliação é compartilhada por representantes da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), que não enxergam, ao menos por enquanto, impacto direto das eleições sobre o setor na capital mineira.
Para o presidente da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha, o mercado imobiliário segue uma dinâmica própria, ancorada, principalmente, na demanda pela casa própria. Ele afirma que a entidade acompanha o cenário político, mas não vê interferências ou motivos para retração.
“Eu, sem até falar pela entidade, estou descolado dessa questão da eleição com relação ao mercado. Eu acho que a gente tem que ir trabalhando independente disso, porque existe a demanda”, afirma Cunha. Segundo ele, fatores estruturais sustentam o setor. “A pessoa não deixa de casar, a pessoa não deixa de buscar moradia e existe a demanda reprimida”, diz.
Na avaliação do presidente, o mercado de Belo Horizonte deve manter um ritmo de crescimento em torno de 5% ao longo do próximo ano, podendo até superar esse patamar em momentos pontuais. “Talvez a gente vá ter picos de negócios, mas em 12 meses deve ficar nessa média de 5%. A eleição não é um problema”, avalia.
Cunha destaca ainda que a capital mineira vive um momento considerado favorável. “Aqui em Belo Horizonte, em especial, eu acho que nós temos um fator muito positivo. Ficamos muito tempo parados. Agora, com uma prefeitura com pensamento mais aberto ao avanço, temos um cenário favorável”, projeta.
Mercado financeiro confiante
A percepção de crescimento também é reforçada pelo consultor da CMI/Secovi-MG, Fábio Araújo, que observa o comportamento do mercado financeiro como termômetro para o setor imobiliário.
Segundo ele, os indicadores recentes apontam confiança de investidores nacionais e internacionais no Brasil, mesmo em ano eleitoral. “A bolsa bateu o maior valor da história recentemente. O mercado financeiro e o mercado internacional estão acreditando no Brasil”, afirma.
Araújo destaca ainda que o volume de captação externa via bolsa de valores foi recorde no último mês, sinalizando ausência de preocupação generalizada com o cenário político. Ele afirma entender que as eleições costumam ser apontadas como um ponto de atenção para o mercado, especialmente entre agosto e outubro, quando a disputa ganha maior intensidade, no entanto, até o momento, esse risco não tem se materializado em instabilidade. “Se esse é o maior risco, por enquanto, não está agitando. A questão da tendência do mercado crescer pelo aumento do crédito, tende a prevalecer”, avalia.
Para Belo Horizonte, a expectativa é de manutenção do volume de vendas. “A gente vai ter de novo um mercado de mais ou menos 25 mil imóveis aqui na Capital”, projeta.
Apesar do cenário considerado positivo, Araújo pondera que o setor ainda enfrenta desafios. O principal deles é a valorização dos imóveis acima da inflação. “Precisamos que o mercado se valorize um pouquinho mais aqui na cidade de Belo Horizonte”, defende.
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