Economia

Após três meses de queda, saldo de empregos formais em Minas acelera em janeiro

Indústria e construção puxam retomada do emprego formal em janeiro; Estado registrou superávit de 7.425 vagas
Após três meses de queda, saldo de empregos formais em Minas acelera em janeiro
Foto: Elza Fiuza / ABR

O número de empregos formais registrou o primeiro saldo positivo em três meses em Minas Gerais, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (3), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em janeiro, foi registrado superávit de 7.425 vagas, impulsionadas pela retomada de setores como indústria e construção civil.

A movimentação no período, que somou 225.801 contratações contra 218.376 dispensas, reverte o cenário crítico de dezembro, quando o Estado perdeu 73.640 postos formais. Os indicadores também são superiores aos recuos registrados em novembro (-9.023) e outubro (-4.120).

Dentre os setores, a indústria mineira saiu de um saldo negativo de 17.137 oportunidades formais em dezembro para um desempenho positivo em janeiro, com a criação de 9.195 postos. O indicador acompanha a evolução do número de empregados da categoria, que apresentou avanço moderado na comparação com dezembro de 2025, conforme aponta sondagem divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Além do setor industrial, a construção civil também reverteu o saldo negativo, saindo de um déficit de 15.441 vagas para um superávit de 4.243 formalizações. Segundo dados do Caged, o setor encerrou 2025 com 335 mil trabalhadores com carteira assinada, número 1,28% inferior ao registrado em 2024 (341.212). Entidades que representam o setor avaliam que o resultado foi atribuído ao recuo de 7,28% no segmento de Obras de Infraestrutura.

O levantamento também mostra que o setor de Serviços, que em dezembro foi o que mais demitiu em números absolutos (28.889), em janeiro, fechou em leve estabilidade. Já o Comércio foi o único setor que apresentou uma leve piora no saldo negativo, passando de -5.294 em dezembro para -5.741 em janeiro.

Cenário reflete recomposição das equipes e retomada das atividades produtivas

De acordo com o economista e docente do curso de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, a forte reversão de dezembro para janeiro é, em grande medida, explicada por fatores sazonais. Segundo ele, o último mês de 2025 tradicionalmente concentra desligamentos relacionados ao encerramento de contratos temporários, ajustes de quadro e fechamento de ciclos orçamentários, enquanto janeiro costuma marcar a recomposição das equipes e a retomada das atividades produtivas.

No entanto, a magnitude da melhora observada sugere que pode haver, além do efeito calendário, um componente cíclico mais favorável. Ainda assim, o economista ressalta que ainda não é possível cravar uma mudança de tendência na economia mineira apenas com os resultados do primeiro mês de 2026.

Em destaque, a recuperação expressiva da indústria e da construção já em janeiro pode ser explicada pelo reinício de projetos e linhas de produção após o recesso de fim de ano, pela retomada de obras, além de cronogramas já contratados e um ambiente de expectativas mais estável. “A construção civil, em especial, tende a reagir rapidamente quando há carteira de obras ativa, enquanto a indústria ajusta estoques e retoma pedidos no início do exercício. Além disso, uma base muito negativa em dezembro amplia o efeito estatístico da recuperação em janeiro”, explica o economista.

Com relação ao recuo de vagas de trabalho para o comércio, a queda no saldo, isoladamente, não é avaliada como motivo de preocupação. Para Sette Jr., o setor costuma contratar intensamente no fim do ano e realizar desligamentos no início do ano seguinte, ajustando o quadro de funcionários conforme a demanda. “A situação só passaria a preocupar caso o saldo negativo se mantivesse de forma relevante nos meses subsequentes, indicando enfraquecimento mais estrutural do consumo”, acrescenta.

Diante desses indicadores, a expectativa do economista para o primeiro semestre é de um mercado de trabalho mais equilibrado, com tendência moderadamente positiva, embora ainda sujeito a oscilações. A tendência, segundo ele, é que a indústria e a construção continuem sustentando parte das contratações, enquanto o setor de serviços tende a se estabilizar e o comércio deve normalizar o comportamento após o ajuste sazonal.

“A consolidação de uma tendência mais robusta dependerá da evolução da demanda interna, das condições de crédito e da confiança empresarial ao longo dos próximos meses”, ressalta Sette Jr.

Menor dinamismo da economia pode afetar demanda por mão de obra ao longo do ano

Apesar do desempenho favorável em janeiro, a gerência de economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) salienta que o início de 2026 ainda está cercado de incertezas. A projeção é que a desaceleração da atividade, a manutenção de juros elevados, as pressões fiscais e o calendário eleitoral tendem a reduzir o ritmo de geração de vagas ao longo do ano.

O argumento parte das expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, que deve girar em torno de 1,82%, abaixo do resultado de 2025. O desempenho sinaliza menor dinamismo da economia e, consequentemente, moderação na atividade e menor demanda por mão de obra, ainda que com alguma defasagem em relação ao cenário econômico.

No Brasil, o saldo em janeiro foi de 112,3 mil postos, superando as expectativas do mercado, que esperava a abertura de aproximadamente 93 mil vagas. Além da relevância no Estado, a Indústria foi o principal destaque no País, respondendo por 105,5 mil vagas.

Na avaliação da Fiemg, o desempenho em Minas Gerais no setor foi superior ao registrado em janeiro de 2025 e suficiente para mais do que compensar o resultado negativo de outros grandes setores, como Comércio e Serviços. “Em um contexto de maior moderação econômica, o desempenho industrial torna-se ainda mais relevante para sustentar o nível de ocupação, a renda e a dinâmica da atividade produtiva no estado”, complementa o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.

Saldo de empregos em Minas nos últimos meses:

  • Setembro: 11.784
  • Outubro: – 4.120
  • Novembro: – 9.023
  • Dezembro: -73.640
  • Janeiro: 7.425
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