Vale do Lítio, no Norte de Minas, atrai EUA e Japão em nova corrida global por minerais
Os governos dos Estados Unidos e Japão estudam investir no Vale do Lítio, dentro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O Projeto Neves, da Atlas Lithium, foi o único empreendimento brasileiro incluído em uma lista de cooperações estratégicas voltadas para minerais críticos, divulgada pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores do Japão.
O potencial da área atraiu olhares internacionais, já que possui geração de riqueza (VPL) estimada em US$ 539 milhões com período de payback de apenas 11 meses. Isso reforça a importância da região na cadeia de transição energética, especialmente na produção de lítio, já que o insumo é essencial para produção de itens como baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
A iniciativa faz parte de uma agenda ampla entre os dois países, que incluiu encontros envolvendo a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ideia é que os países invistam na diversificação de fontes de minerais críticos, hoje muito dependente da China, líder global no segmento.
A presença do Projeto Neves também teria ganhado peso adicional em razão da parceria estratégica entre a Atlas Lithium e a japonesa Mitsui. Após investir na Atlas no Brasil, a multinacional japonesa teria estabelecido uma ponte direta entre a produção brasileira e a indústria do Japão.
Ao Diário do Comércio, o CEO da Atlas, Marc Fogassa, comenta que o Projeto Neves, no Vale do Lítio, se destaca pela combinação da qualidade do projeto, do nível de maturidade e perfil econômico, conforme apresentado no Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS). Segundo ele, o DFS do local mostra uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 145%, um VPL de US$ 539 milhões e um período de payback atraente de 11 meses, que são fortes indicadores do potencial econômico do projeto.
O executivo ainda destaca que o Projeto Neves já recebeu licenças fundamentais e a planta de separação por meio denso (DMS) já foi adquirida e transportada para o Brasil, reforçando o status avançado do projeto. O porte da empresa também pode ser considerado um diferencial competitivo. Concentrada principalmente no Vale do Jequitinhonha, a Atlas Lithium detém cerca de 557 quilômetros quadrados (km²) em direitos minerais de lítio, o que a coloca como a empresa listada em bolsa com a maior área de exploração desse minério no País.
Próximos passos ainda estão indefinidos
Apesar das expectativas com o avanço de uma possível cooperação, até então, não há um cronograma formal para qualquer potencial proposta de apoio financeiro. Também não está definido quais instrumentos financeiros podem ser utilizados. “O que o documento sinaliza é que o projeto no Vale do Lítio entrou em um grupo seleto que será avaliado mais de perto por instituições japonesas e americanas que, ao longo do tempo, podem abrir caminhos potenciais para estruturas de financiamento competitivas”, acrescenta Fogassa.
O documento também não fornece informações detalhadas se o apoio financeiro cobriria a infraestrutura local, como estradas e energia, ou se ficaria restrito a investimentos “dentro da mina”. No entanto, o executivo da Atlas comenta que, em iniciativas globais semelhantes de minerais críticos, as discussões frequentemente consideram tanto os investimentos no nível do projeto, quanto relacionados à infraestrutura.
Sobre uma eventual prioridade ou exclusividade de exportações aos países interessados no projeto do Vale do Lítio, o documento também não menciona condições específicas relacionadas. “Qualquer discussão futura sobre offtake (contratos de compra) ou destino de volumes continuará a seguir nosso princípio orientador de construir uma base de clientes diversificada, confiável e de longo prazo, sempre em conformidade com o dever da empresa para com seus acionistas e o ambiente regulatório brasileiro”, finaliza Fogassa.
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